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segunda-feira

Quantas igrejas existem dentro da sua?

Igrejas dentro de igrejas. Como é isso?
Nos últimos dezesseis anos tenho percebido dentro das igrejas evangélicas no Brasil, especialmente as que eu fiz parte ativamente, algo curioso. O que deveriam ser reconhecidos tanto pela prática quanto pela nomenclatura, estou falando dos ministérios dentro de uma comunidade cristã, parecem exercer pequenas igrejas dentro de uma igreja maior. É estranho, muito estranho, mas real.
      Tenho observado ao longo desses anos práticas interessantíssimas, curiosas, esquisitas. Os "ministérios" estão fazendo pepéis de congregações de igrejas-mãe. Pasmem! Dentro da própria igreja! Como assim? E pode isso? As lideranças mais importantes estão se reunindo por conta própria, às escondidas, organizando eventos e festas, à revelia, separando-se daquilo que é conhecido como corpo de Cristo, um só, e não vários. Suas organizações acontecem à parte e seus desfechos são apresentados ao pastor somente após meses de planejamento, muito mais como um aviso do que uma proposta, pedido de consentimento ou elaboração de ideias, não estão mais aceitando uma opinião, não admitem uma possível poda do pastor. Já está tudo pronto. Só precisam do "aval" do pastor. Hã?
      A figura do pastor parece importar para uma parte da igreja (não arrisco dizer se a maioria ou a minoria) apenas para pregar nos cultos e resolver problemas bíblico-teológicos (e olhe lá) ou algo que envolva o nome da igreja. Será isso uma prova de que o pastor não possui mais o respeito que tanto nos ensina as Escrituras? "Obedeceis aos vossos guias e sede submissos para com eles (...) Acateis com apreço... os que vos presidem no Senhor..." (Hb 13.17; I Ts 5.12 ARA).
      Observo, e.g., o ministério de louvor, um dos mais importantes (não por isso o melhor). Quando atuei na liderança de um, tive que impor a verdade de que músicos e cantores (como se cantores não fossem músicos) não eram dois ministérios, isso mesmo, encontrei dois "ministérios" dentro de um, atuando silabicamente. O resultado era óbvio: a música não fluia, a ministração da Palavra de Deus não era notória nesta parte da igreja. Quem operava um instrumento pensava diferente de quem utilizava o microfone. O que é isso? O tempora! O mores! O Texto Sagrado não era lido, nem discutido, muito menos praticado nos ensaios, nem no dia a dia. As orações e consagrações não eram parte da vida ministerial dos músicos. "Meu Deus! Onde estou, senão em tua Casa?", exclamava ao ver tal situação.

sexta-feira

Por que não consideram o pensamento judaico?

Irreverência não combina com cristianismo
Aprendi com um experiente e dedicado mestre que a Bíblia não pode ser compreendida por completa se não considerarmos a cultura, os usos, os costumes e a forma de pensar e entender as coisas da vida judaicos, sobretudo os da época de Cristo. É triste ver qualquer pessoa subindo em púlpitos, lecionando em EBDs, falando em rádios, TVs, nas praças, na internet, em alguns livros e até mesmo em seminários teológicos, sem o mínimo e aceitável conhecimento do que se entende por "Bíblia". A frase "não se faz mais 'qualquer coisa' como antigamente" parece querer um lugar especial nestas linhas que tracejo: não se faz mais pregadores como antigamente, não se faz mais líderes como antigamente, não se faz mais pastores como antigamente, não se faz mais profetas como antigamente. Antigamente, quando não se tinha pressa de terminar uma perícope, quando não havia ansiedade de querer mostrar a todos o conhecimento que [achava] que possuía, quando só podia ser mestre após os 30 anos de idade (em alguns lugares o limite era 40 ou mais), quando se havia todo o cuidado para abrir a boca e falar algo, querendo dizer que era Deus quem estava falando, quando se tinha temor e tremor pelo Eterno.

Os dias atuais estão repletos de animadores de palco, excepcionais oradores apenas, excelentes dominadores da língua portuguesa, possuidores de boa lábia para uma má finalidade, especialistas em testemunhos eletrizantes, produtores de milagres fajutos, legalistas, artistas famosos e anônimos, intérpretes de um drama teatral, músicos dramaturgos, diretores de arte hollywoodyanos em meio ao que denominam "momento de adoração", pregadores de uma homilética sem homilética nenhuma: lê o Texto, sai do Texto e nunca mais volta para o Texto. Líderes mergulhados no pecado consciente e distantes da santidade, logo, abstraídos das Sacras Letras. Ferramentas efêmeras nas mãos entristecidas de Adonai. Já dizia Charles Haddon Spurgeon: "Chegará um tempo em que no lugar dos pastores alimentando as ovelhas, haverão palhaços entretendo os bodes." Estes palhaços não possuem nenhum compromisso ou responsabilidade com a Sã Doutrina, são procurados por pessoas com comichão nos ouvidos que eles mesmos as ensinaram. Não respeitam a cultura original dos hebreus nem sequer consideram o pensamento judaico, a enorme e excelente fatia de todo o judaísmo que nos oferece uma gama de respostas para tantos mistérios bíblicos, o equilíbrio da nação escolhida pelo Eterno nos primórdios das Escrituras. O que se vê são pessoas que nunca pararam para refletir sobre o processo do casamento judaico, nunca compreenderam o porquê do vinho que Jesus transformou ter sido reconhecido por um especialista como o melhor vinho, nunca entenderam, de fato, a expressão "EU SOU" dita a Moisés, nunca souberam explicar as discrepâncias acerca de "um" Deus que, supostamente, se arrependeu (Gn 6.6), mas nunca se arrepende (Nm 23.19), nunca gastaram tempo para preparar um comentário sobre algo das Escrituras, nunca se desmancharam na presença de Elohim. Estes animadores irreverentes nunca agem com reverência, nunca pensaram de que maneira a mulher samaritana reconheceu que Jesus era judeu, nunca pararam para pensar sobre o porquê de o corpo de Jesus não estar mais no sepulcro, embora o lenço que o vestia estivesse, dobrado, arrumado. Nunca souberam explicar como o lenço de um apóstolo curava enfermos e o dono deste lenço sugere vinho para medicar outro apóstolo, ao invés de dar-lhe o [místico] lenço. Nunca se vê um esforço para silenciar sobre qualquer tema quando a Bíblia silencia, sempre querem especular.

terça-feira

Por que no meu tempo era diferente?

Vamos brincar de quê?
Quando eu era criança a minha brincadeira preferida era qualquer coisa referente a carros, desde pegar as tampas das panelas da minha mãe e fazer delas volantes automotivos até construir magníficas rodovias com direito a túneis e pontes, obras dignas de um verdadeiro engenheiro civil, tudo no melhor campo de trabalho à minha disposição, o quintal de casa.
Eu gostava muito quando minha casa ou a dos vizinhos estava em construção, principalmente quando a construção era embargada, os materiais (areia, barro, traço, etc.) ficavam ao meu inteiro dispor. Meus amiguinhos permaneciam boquiabertos. Sim, eu era muito bom, extremamente talentoso, não sei como não me tornei um engenheiro civil, sempre fui bom em matemática, trigonometria, física, cálculos, medidas e fórmulas em geral.

      O fato é que o tempo passou e as coisas mudaram. Sempre fui liderado pelo meu irmão mais velho, mas lembro-me perfeitamente quando estava próximo de completar meus 18 anos que comecei a me tornar mais líder do que liderado. Enfim, ao passar os anos, olho para trás e me pergunto sempre: "Por que no meu tempo era diferente?"
Em que sentido eu faço esta pergunta? A melhor resposta é "em todos os sentidos". Quando criança e adolescente eu, como qualquer menino ou menina nesta fase, recriava o que via ao meu redor. Todos os carros que passavam na minha rua eu sabia os nomes, fossem nacionais ou importados, e não sabia porque lia em jornais ou revistas especializadas em carros, muito menos na internet. Quase ninguém gosava destes privilégios na época, minha família, menos. Eu sabia porque lia atrás dos carros, geralmente no porta-malas, o nome de cada um, associando com o logotipo da montadora. Parece besteira, mas para a minha idade, a partir dos 4 anos, no final dos anos 1980 e início dos 1990, era surpreendente. Sem brincadeiras, eu sabia até mais que o mecânico e amigo da família que morava próximo. Assim, me apaixonei por carros, especialmente os grandes.

quinta-feira

Existe alienação religiosa?

Para onde vai a sua pregação?
O problema de algumas igrejas nos dias de hoje é que seus membros se encontram em estado de inércia, alienados e prisioneiros de um sistema carcerário implantado nas congregações, podre e nefasto. Suas ideologias pregam a incompatibilidade de seus membros com as coisas do mundo. Não falo daquilo que é pecado, mas da vida que deve ser vivida dentro deste mundo. Ora, estamos nele, não? Ainda que não sejamos dele, ainda vivemos nele. Os frutos (se é que podem ser chamados de "frutos") dos que estão em estado de inércia não passam de ações de pessoas que possuem mentes cauterizadas, assim como seus líderes. Sim, chegamos na figura de quem possui a responsabilidade de guiar tais pessoas, o líder.

Ouvi dizer recentemente que o problema muitas vezes não é o líder, mas o liderado. Pode ser, dependendo da situação a que se refere, mas, da forma como abordaram tal ideia me obrigou a me perguntar: como assim? É covardia comparar a situação de uma ovelha nos dias atuais com a relação Judas Iscariotes - Jesus Cristo. Isto envolve pelo menos quatro áreas teológicas bastante controversas e polêmicas. Não pode ser analisado num simples comentário ou pensamento pessoal.

Em toda a Bíblia percebemos o quanto o líder é importante: No Éden, Deus era o líder e não prendeu seus liderados a uma ideologia humanista e pobre. Ele disse: "Comam de tudo, exceto daquela árvore." Em toda a história que envolve os patriarcas Abraão, Isaque e Jacó até toda a pregrinação de Israel (Josué) os líderes foram fundamentais para seus respectivos povos. No tempo dos juízes, todos eles foram importantíssimos na permanência da ordem e decência do povo. Na Monarquia, desde Saul, Davi, Salomão e outros reis de Israel, a liderança foi importante e definitiva para a vida do povo, tanto na esfera religiosa quanto na política. Na era profética (Samuel, Elias, Eliseu, Isaías, Jeremias, Habacuque, etc.) a voz de Deus ecoava para os ouvidos do povo mediante a boca destes homens chamados por Ele.