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terça-feira, 29 de maio de 2012

A igreja morna de Laodicéia (Esboço)

"Quem deras fosses frio ou quente"  -  Apocalipse 3.15 [14-22].

1. Contexto histórico resumido:
Anteriormente, Laodicéia chamava-se Diospolis, depois passou a ser chamada Rhoas. Era uma das cidades mais prósperas da época romana, possuía ótima produção têxtil, em especial a de lã negra. Essa produção dava-lhe muita riqueza, visto que, na época não era fácil encontrar tal produção.
Havia também em Laodicéia, uma famosa e competente escola de medicina que produzia um pó para remediar enfermidades oculares, transformado em colírio, uma outra fonte de riqueza para a grande cidade.
Laodicéia era um centro financeiro daquela época. Situava-se no meio de muitas outras cidades menores, e servia de centro de negócios da região.
Havia muitos bancos e os laodicenses se orgulhavam disso por terem muitas riquezas acumuladas ao longo dos tempos. Talvez daí o significado de seu nome: Laodicéia quer dizer "povo reinante", uma alusão a arrogância da maioria dos laodicenses por possuirem muitas riquezas.
Sua religião baseava-se principalmente a César (título dado ao Imperador Romano) e a Zeus, tido como o deus dos deuses. Hoje, a Turquia não tem uma religião oficial, mas predomina o Islã.
Em Denizli, Turquia, está registrado algumas ruínas da antiga Laodicéia e parte da nova cidade instalada, bem moderna, por sinal.


Denizli, na Turquia:
Em Laodicéia havia problemas com o abastecimento d'água; A cidade produzia uma água de péssima qualidade, suja e quente. Talvez fosse pelo fato de o solo ser muito quente. Possivelmente devido a isso, Herodes, o grande, tenha mandado construir uma aqueduto térmico afim de conseguir água de boa qualidade de cidades vizinhas, principalmente Hierápolis. Pesquisadores afirmam que essa água vinha de Hierápolis e Colosso, sendo que de uma vinha quente e de outra vinha fria. Ao encontrar as águas no aqueduto, iam à Laodicéia ainda morna, tendo que esfriar para o consumo.
Na verdade, o propósito da construção desse aqueduto era que a água chegasse fria, mas não chegava nem fria nem quente, e sim morna.

2. Detalhes da carta enviada à igreja (Apocalipse 3.14-22):
À igreja conhecida como morna escreveu Jesus, através de João:

• A apresentação de Jesus: "...isto diz o Amém, a Testemunha fiel e verdadeira, o Princípio da criação de Deus." (v. 14);
A palavra "Amém" aqui é um pouco diferente do "amém" que estamos acostumados.
Quando se confirma algo de Deus ou se termina uma oração, por exemplo, estamos dizendo "eu concordo" ou "assim seja".
O "Amém" ao qual Jesus se refere como sendo o tal vem da conformidade do grego e do hebraico querendo dizer "firme", "confiável", "verdadeiro", "fiel". Por trás dessa palavra está o atributo "confiabilidade" do Senhor, ou seja, um Deus da verdade em quem se pode confiar (Isaías 65.16). Jesus dizendo-se ser o Amém quer dizer "Jesus da verdade".

"Testemunha" quer dizer "Mártir" (gr. "martys"). Mártir é qualquer pessoa capaz de morrer sem negar uma crença. Jesus Cristo é o maior mártir, tendo Ele morrido sem negar a Sua existência e de onde e para onde foi. No contexto de Laodicéia quer dizer "Aquele que dá testemunho a favor do que Deus revela por Seu intermédio".

Ao se revelar como sendo "O Princípio da criação de Deus", Jesus mostra a sua onisciência. Por ser o primeiro de todos, Cristo se qualifica como sendo sabedor de todas as coisas (Colossenses 1.17).

Por isso Ele conhecia as obras da igreja em Laodicéia.
A palavra "obras" (v. 15) significa "trabalho", "feito", "ato" (gr. "ergon"). Sua onisciência Lhe dava plenas condições de enxergar os feitos inúteis da igreja laodicense.

• As indiretas de Jesus sobre Laodicéia: "Quem deras fosses frio ou quente" (v. 15);
Jesus se utiliza de indiretas para reclamar contra a igreja de Laodicéia:
(1) Ele se refere a frieza como sendo um refrigério para as vidas cansadas (Salmos 23.2,3).
Ao contrário do que muitos defendem, Jesus não se refere aqui como uma igreja morta por ser fria, mas uma igreja apta a dar uma palavra de descanso para seus membros.
(2) Ele também refere-se à quentura como sendo uma cura espiritual (II Coríntios 4.16).
Quente aqui não se trata de uma igreja fervorosa, mas de um templo com pessoas capazes de dar uma palavra de cura espiritual aos seus membros.
A igreja em Laodicéia não possuía nenhuma dessas qualidades. Jesus direcionou-lhes estas palavras usando de indiretas por causa da situação no abastecimento de água da cidade naquele tempo, que não era fria nem quente.

Analisando a palavra "fosses", encontramos um conselho de Cristo á igreja ("fosses" = "deveria ser", do grego "eiên"):
Jesus aconselha aos cristãos laodicenses que fossem, pelo menos, frios ou quentes, pois assim daria menos trabalho para Cristo em ajudá-los a reerguer-se (Números 12.6-9 - sedições do povo que cansavam e davam muito trabalho a Deus);
Pensando nisso, Jesus afirma que sua igreja em geral deve ser, ao mesmo tempo, fria e quente, e nunca no meio termo, morna (Mateus 5.37; Colossenses 4.6; Tiago 5.12; I Coríntios 10.21; II Coríntios 6.15).
Por ser inútil espiritualmente, a igreja de Laodicéia foi repreendida.

• Quase exterminada: "Assim, porque és morno [...] vomitar-te-ei da minha boca" (v. 16);
"Vomitar" vem do grego "emeô", e quer dizer "cuspir fora".
O que sai da boca de Jesus é a Palavra. Logo, isso só pode implicar na expulsão da igreja de Laodicéia do Seu Livro (Apocalipse 1.16; 3.5; Daniel 12.1; Lucas 10.20).

• A origem do problema da igreja: "... de nada tenho falta" (v. 17);
Por causa da riqueza, a maioria dos laodicenses achavam que já tinham de tudo. Na verdade era desgraçada, miserável, cega e nua. Jesus já havia ensinado no monte que não se deve servir a mais de uma senhor (Mateus 6.24 - Mamon, o deus da avareza).

Analisando uma das reais qualidades vistas por Jesus, podemos entender melhor a visão de nosso Senhor: Do grego "gymnos" que quer dizer "nua" ou "sem nada espiritual", traz uma referência àquele que serve a igreja de qualquer maneira (Jeremias 48.10). Ora, quem é espiritual serve ativamente e sempre compreende os mandamentos de Deus. Já o natural serve de forma ociosa (I Coríntios 2.14,15; Tiago 4.4).

• O conselho de Jesus: "Aconselho-te que de mim compres ouro [...], vestes brancas [...] e colírio..." (v. 18);
Para que fosse verdadeiramente rica, no lugar das riquezas acumuladas pela população, a igreja deveria comprar de Cristo o verdadeiro ouro refinado, que é a fé provada e aprovada após passar pelo fogo (I Pedro 1.7; I Timóteo 6.10).
Para cobrir a sua nudez espiritual e tornar-se pura outra vez, Laodicéia deveria adquirir vestes brancas no lugar da valiosíssima lã negra que produzia (I Pedro 1.15,16; Eclesiastes 9.8).
Sua cegueira só poderia ser curada com o verdadeiro colírio que só Jesus tinha, ao invés dos lucros absurdos conquistados pela produção do pó 'milagroso' produzido pelos laodicenses da época (João 9.39; Salmos 119.105).
Somente o Senhor é capaz de vender sem cobrar nada. Jesus estava dizendo mais ou menos assim: "vinde as águas os que não tem dinheiro, os que não tem crédito Comigo, vinde e comprai e comei, sem dinheiro e sem preço [conjectura]" (Isaías 55.1).

• Uma declaração de amor: "Repreendo e castigo a todos quantos amo" (v. 19);
Como um pai faz a seu filho, Deus ama àquele cujo direciona uma repreensão.
Para Laodicéia, a repreensão e o castigo soa como uma declaração de amor (Provérbios 3.11,12; Jó 5.17,18).

• Jesus bate à porta afim de entregar o perdão: "Eis que estou à porta e bato [...] entrarei em sua casa e cearei com ele..." (v. 20);
O amado das nossas vidas bate à porta (Cântico 5.2 NVI).
É interessante porque, Jesus se auto-designa como sendo a porta (João 10.9), desejando que entremos Nele. No contexto da igreja em Laodicéia, a porta é a que temos em nosso coração, nosso íntimo, por onde Ele deseja entrar antes, nos possibilitando, assim, entrar por Ele.

• O prêmio: "Ao que vencer lhe concederei que se assente comigo em eu trono" (v. 21);
O desafio à vitória ocorre em cada uma das cartas enviadas às igrejas da Ásia, em Laodicéia não é diferente. Sentar-se com Cristo em seu trono é, figuradamente, a restauração da comunhão do homem com Deus, antes desfeita no Éden (Gênesis 2-3; Efésios 3.6; Gálatas 3.29).

CONCLUINDO:
Nossa carreira espiritual é difícil. As vezes caímos, pecamos aqui e ali. Não devemos pensar que Deus estará sempre pronto a nos perdoar (mesmo que Ele esteja), mas nós estaremos sempre prontos a não cair de novo.
Busquemos a Ele enquanto é possível achá-Lo (Isaías 55.6; Amós 8.11).

Veja também: Cartas às 7 igrejas da Ásia.


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