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sábado, 23 de março de 2013

Descobrindo a essência da adoração - Parte 1/2

"Vocês, samaritanos, adoram o que não conhecem; nós adoramos o que conhecemos, pois a salvação vem dos judeus [...] porque para Deus somos o aroma de Cristo entre os que estão sendo salvos e os que estão perecendo."  -  João 4.22; II Coríntios 2.15 NVI.

INTRODUÇÃO:
A adoração tem sido uma constância no meio humano desde a sua criação. Hoje, entre os evangélicos, adorar tem sido sinônimo de fazer barulho, entoar cânticos anti-teológicos e profetizar palavras lógicas e sem sentido.
Isto quer dizer que não estamos sabendo como adorar [...] e se não sabemos é porque não temos o conhecimento do que é adoração. Ora, tudo quanto se insere no assunto "adoração" diz respeito a (1) o que é adoração, (2) quem deve ser adorado, (3) quem deve adorar, (4) como se deve adorar, (5) em que situação se pode adorar, (6) onde se deve adorar, e (7) quando adorar. Sem essas ordenanças só temos a perder.
Nas próximas linhas trataremos de assuntos referentes a adoração santa, lembrando da complexidade do tema e não esquecendo da graça de Deus.

1. O que é adoração?
A palavra "adoração" em sua origem (lt. "adorare") significa "render culto", "reverenciar", "venerar", "amar ao extremo". Trata-se de uma homenagem prestada a poderes superiores, sejam seres humanos, anjos ou Deus (cf. I Samuel 28.14Gênesis 19.1; 50.18; Salmo 96.9).
A Bíblia mostra quatro etapas no desenvolvimento da adoração: (1) Os patriarcas adoravam construindo altares e oferecendo sacrifícios (Gênesis 4.26; 8.20; 12.7,8; 13.4,18); (2) em seguida vemos a adoração no Tabernáculo e no Templo de forma sistemática e com sacrifícios (Êxodo 25-31; II Crônicas 3; I Reis 6-7); (3) a adoração nas sinagogas começou provavelmente durante o cativeiro babilônico, visto que o Templo fora destruído a mando do então rei Nabucodonosor e não havia mais onde o povo adorar (II Reis 25.8,9 NVI); (4) atualmente os judeus ainda cultuam e exercem atividades adorativas nas sinagogas, sendo que Jesus, ainda no tempo de seu ministério terreno, ensinou que a adoração verdadeira não deve se deter a lugares, mas em oportunidades (João 4.20-24).

A adoração não é música como muitos pensam, porém a música pode ser adoração; na verdade, adorar trata-se de um conjunto de peças que se interligam entre si, formando a verdadeira adoração.
Fazem parte da adoração cristã:
(1) A oração (Mateus 6.5-8; I Tessalonicenses 5.17; I Timóteo 2.8);
(2) O jejum (Mateus 6.17,18; veja o estudo "Três tipos de jejum");
(3) A leitura da Palavra (I Timóteo 4.13; Neemias 8.5,6);
(4) A pregação (Números 3.7,8; Atos 20.7);
(5) O louvor (Efésios 5.19; Salmo 134);
(6) As ofertas (I Coríntios 16.1,2; Levítico 27.30; Gênesis 14.18-20; Provérbios 3.9,10);
(7) A Ceia do Senhor (I Coríntios 11.23-25);
(8) As boas obras (Hebreus 13.16; Mateus 25.34-40);
(9) O amor ao próximo (Mateus 5.44,45);
(10) A gratidão (I Tessalonicenses 5.18);
(11) A pureza (Levítico 11.44,45; I Pedro 1.13-16).

2. Quem deve ser adorado?
Quando Jesus foi tentado no deserto por Satanás, direcionou-lhe as palavras da Lei (Lucas 4.8; Deuteronômio 6.13; 10.20). Tais respostas ao Inimigo nos ensinam que somente a Deus devemos adorar.
Mesmo sabendo que fomos feitos para o louvor e a glória do Senhor, o insistente desejo do Diabo, desde a sua rebelião ainda no céu, é roubar aquilo que não lhe pertence (cf. Isaías 14.13,14Efésios 1.11,12 NVI).
O homem foi criado para louvar o seu Feitor (Salmo 150.6; Gênesis 2.7 NVI), entretanto, criaturas vem tentando tomar o lugar do Criador, possuídos de desejos humanos e demoníacos, possessos de uma tal síndrome que andam falando ultimamente; a síndrome de Lúcifer.
Estes tem o conhecimento de que Deus existe, mas não o glorificam como Deus (cf. Romanos 1.21-25).

A forma exterior de adoração tem sido transformada com o passar do tempo, isso não quer dizer que a adoração a Deus mudou, mas apenas a parte exterior. Veremos mais sobre isto a frente. O que pretendo explanar neste tópico é que a Bíblia, de forma alguma, desaponta Deus como o único adorado (Isaías 44.6-8), porém apresenta Jesus como aquele que se tornou o único Caminho para o único Pai (João 14.6), o substituto do antigo véu (Hebreus 10.19-21 NVI), presente simbolicamente no Tabernáculo e no Templo (cf. Êxodo 25.8,9; 26.31-33; Marcos 15.37,38).
Jesus, então, passa a ser o Caminho para a adoração a Deus, tendo como um motivador o Espírito Santo, nosso Consolador.

No deserto, Jesus disse "Adore o Senhor, o seu Deus, e só a ele prestes culto." (Mateus 4.10 NVI) porque estava na condição de homem natural. Na revelação do Apocalipse a João nós vemos Jesus glorificado, sentado num trono cedido por Deus (cf. Salmo 2.8,9), recebendo toda a adoração das criaturas celestes (Apocalipse 4.2-11). Portanto, Jesus Cristo é quem devemos adorar.
Semelhantemente, a Bíblia apresenta um Trio, que conhecemos como "Santíssima Trindade" (cf. I Coríntios 12.3-6 NVI).
Embora essa expressão não se encontre na Bíblia literalmente, visualizamos a Trindade (Pai, Filho e Espírito) já na primeira linha de Gênesis, onde, no original hebraico, e de acordo com estudiosos bíblicos, a palavra "Deus" está no plural, mas não necessariamente como "Deuses", pois a regra gramatical aplica-se apenas a língua original, o hebraico. O texto poderia ser lido assim: "No princípio, os céus e a terra foram criados por Deus, Jesus e o Espírito Santo [pelo Pai, pelo Filho e pelo Espírito." (Gênesis 1.1 - adaptado; cf. Colossenses 1.13-17 NVI).
Portanto, o Pai, o Filho e o Espírito são os nossos adorados (cf. João 14.8,9; Gálatas 4.6).
Para informações adicionais sobre o tópico consulte o artigo "Cuidado com Janes e Jambres" e o esboço "Ministérios Fracassados".

3. Quem deve adorar?
Tudo aquilo que tem fôlego, certamente, deve adorar a Deus (Salmo 150.6). Pensando assim, qualquer pessoa, animal ou seres espirituais podem (devem) adorar ao Senhor; se esta adoração chegará a Ele é outra coisa (cf. Isaías 59.1,2).
Contudo, se estamos falando de nós, os remidos, obviamente devemos adorar a Deus (Salmo 66.4).
Toda criatura divina nasce com o desejo de adorar, de cultuar alguém. Com o tempo, esta criação do Pai escolhe um adorado que deveria ser o Senhor (Apocalipse 4.11; Hebreus 13.15), todavia, em muitas situações, passa a ser outras criaturas ou até mesmo objetos inanimados, um tipo de adoração que a Bíblia chama de "mentira" ou "idolatria" (Êxodo 32.4Romanos 1.25João 10.34-36 NVI). A "mentira" aqui refere-se ao Diabo, tido nas Sacras Escrituras como "o pai da mentira" (João 8.44) que disse para a primeira mulher: "sereis como Deus" (Gênesis 3.4,5), sendo que este pai mentiroso já sabia da impossibilidade de ser como o verdadeiro Pai (Ezequiel 28.2).
Assim, percebemos a astúcia de Satanás, aquela antiga serpente, de querer deturpar o verdadeiro culto e culpar os reais adoradores, transferindo a adoração para ele, ou simplesmente para qualquer um, exceto à Deus. Da mesma forma, o Inimigo maior de nossas vidas, sempre desejará que a adoração seja desviada do seu âmago (I Pedro 5.8; Apocalipse 13.3,4).

O salmista foi bem enfático; ele apresenta uma lista de adoradores de Deus em todo o universo, desde a terra até o que se encontra acima do firmamento. Escrito entre aleluias, o antepenúltimo salmo da Bíblia é simplesmente maravilhoso:
"Aleluia! Louvem o Senhor desde os céus, louvem-no nas alturas! [...] Ele concedeu poder ao seu povo, e recebeu louvor de todos os seus fiéis, dos israelitas, povo a quem ele tanto ama. Aleluia!" (Salmo 148 NVI).

Podemos afirmar que este salmo resume uma canção da natureza e graça divinas; uma adoração singular que se inicia nas alturas, desce à terra e às profundezas, retorna à terra, passando por governos e nações, moços, moças, velhos e crianças, até que, enfim, volta às alturas.
O versículo 14 é a chave para esta linda escrituração, onde reis, juízes, homens e mulheres, adultos ou crianças tem entre si um desejo de adorar a Jeová. Ao lermos este salmo percebemos que tudo e todos que existem, independente de terem se mantido puro ou não, há incontáveis motivos de adorar a Jeová, e quanto mais chegado à Ele, mais motivos ainda encontram para louvá-Lo.

4. Como se deve adorar?
Este é um quesito complexo, talvez a pergunta mais feita nas duas últimas décadas no meio evangélico.
Lembro-me quando tinha meus 15 para 16 anos e ouvi um pastor falar na minha igreja que na Bíblia não está escrito que a oração deve ser feita de joelhos, e que a única forma de o Senhor ouvir nossa súplica é quando a fazemos ajoelhados. Então, uma enorme interrogação acendeu-se sobre a minha cabeça: "e qual a forma correta de orar, já que é isso que eu venho aprendendo até aqui?"
Igualmente, ao passar os dias, outras questões vieram à tona, dentre elas: "qual a forma correta de adorar?"

Na Bíblia, existem várias referências sobra a maneira em que os antigos homens de Deus adoravam. Dentre essas referências, tentarei citar o máximo possível, enquanto nos concentraremos nas Crônicas.

"Josafá prostrou-se, rosto em terra, e todo o povo de Judá e de Jerusalém prostrou-se em adoração perante o Senhor." (II Crônicas 20.18 NVI).
O versículo referido conta um pouco da história de Josafá (que significa "o Senhor julga"), onde, neste contexto, vence seus inimigos sob a permissão divina. Entretanto, não vamos nos deter no relato, mas nas expressões sublinhadas apenas.
Os dois termos destacados significam a mesma coisa; um gesto que as pessoas faziam na época antiga do Velho Testamento, onde encostavam a ponta do nariz no chão, e muitas vezes em terra batida (daí a expressão "face no pó"). Tal gesto era feito em reverência a pessoas de posições superiores ou em respeito ao próximo. Também era o gesto comum daqueles que adoravam a Deus. O termo para este significado encontra-se na palavra "rosto", que em sua origem (hb. "aph") significa literalmente "nariz". Em alguns textos do Antigo Testamento refere-se a "estar irado" ou "a ira de Deus", porém, neste contexto mostra o ato da adoração a Deus.

Subentende-se a partir daí que a forma de se adorar a Jeová deve ser prostrado. Isso quer dizer que eu sempre devo adorar a Deus encostando a ponta do meu nariz no chão? Não, porque antigamente a adoração era mais ritualística e com cerimonialismo (cf. o livro de Levítico), porém, após a vinda do Messias, uma nova extensão para adorar a Deus foi inaugurada (Mateus 2.11), todavia, ressalto; o culto ao Senhor não mudou, apenas tornou-se acessível a todos que se dispõem ao arrependimento próprio e ao reconhecimento da santidade divina (Hebreus 9.13-15).

Ajoelhados, com mãos levantadas, de olhos fechados, reconhecendo a soberania de Deus, aceitando as nossas limitações, convertendo nosso riso em pranto por causa do pecado, sentindo as lágrimas escorrendo suavemente em nosso rosto, de pé, sentado, deitado, andando, correndo, parado, cantando, ouvindo, em silêncio, sussurrando, gemendo, dançando, batendo palmas, proclamando, contristando-se, humilhando-se [...] são formas de se prostrar diante de Deus sem a necessidade do gesto literal como dantes (Levítico 17.11 NVI) [...] pois Jesus se entregou na cruz por nós e fez o gesto sacrificial para destruir todo protocolo para sempre, fazendo derramar seu sangue precioso para remir todo aquele que aceitar esta ação amorosa de Deus, nosso Pai Celestial (Hebreus 9.11-2210.19-22).

É bíblico adorar a Deus:
(1) Batendo palmas (Salmo 47.1 NVI);
(2) De joelhos (Salmo 109.24Daniel 10.10 NVI);
(3) Dançando (II Samuel 6.14 NVI - muita atenção para este quesito);
(4) Humilhando-se (Tiago 4.9,10; I Pedro 5.5-7 NVI);
(5) De mãos levantadas (Gênesis 14.22,23; Salmo 141.2I Reis 8.54 NVI);
(6) Jejuando (Salmo 109.24 NVI);
(7) De pé (Êxodo 33.10 NVI);
(8) Orando (Efésios 5.20; I Tessalonicenses 5.17; Atos 10.9).






2 comentários:

dayllaMelo disse...

Que conteúdo Magnífico, tem muita gente precisando saber o que é ser um verdadeiro adorador. Parabéns amigo.

Jones de Lira disse...

Obrigado, Day!

Eu sempre digo que a glória é de Deus e se eu fui capaz de escrever um texto como esse, foi por causa do Espírito do Senhor, que me impulsou a tal, para honrá-Lo.
Ajude a muitos divulgando e indicando as ministrações aqui publicadas.

Aguarde a parte 2, que tem muito mais coisas importantes.

Deus seja contigo!