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segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Descobrindo a essência da adoração - Parte 2/2

"Vocês, samaritanos, adoram o que não conhecem; nós adoramos o que conhecemos, pois a salvação vem dos judeus [...] porque para Deus somos o aroma de Cristo entre os que estão sendo salvos e os que estão perecendo."  -  João 4.22; II Coríntios 2.15 NVI.

[Este artigo corresponde a continuação de "Descobrindo a essência da adoração - Parte 1/2"]

INTRODUÇÃO:
A essência da adoração tem a ver com seu pricipal elemento. Para se ter o conhecimento deste elemento faz-se necessário, antes, obter todo o conteúdo em mãos.
Junto comigo, você já viu que tratamos sobre o que é adoração, quem deve ser adorado, quem deve adorar e como se deve adorar. Hoje, fecharemos nosso estudo com os tópicos seguintes.

5. Em que situação se pode adorar?
As pessoas tem pressa em condenar o próximo. Vemos isso na famosa passagem da mulher adúltera (João 8.1-11).
O caso desta pecadora não deu em nada, ao menos parece ter sido assim, porque não vemos Jesus condenando-a. Contudo, algumas lições tiramos desse relato: (1) Ao contrário das pessoas, Jesus não tem pressa em censurar o pecador; (2) Para julgar em tom negativo, deve-se, antes, estar sem pecado (Mateus 7.1-5); (3) Aqueles que tem mais culpa são entregues pela sua própria consciência na hora do repúdio; e (4) Só Jesus podia dizer com justiça "Não te condeno!" (v.11), visto que somente Nele achamos expiação (Romanos 8.1-3João 8.46 NVI).
Pensando nisso, só podemos atribuir a Cristo a autoria das palavras "Vá e não peque mais!" (v. 11 NTLH [NVI]). Aliás, é necessário que atendamos essa exortação de uma vez por todas.


• Diante disso, me surge uma pergunta: Pode o ser humano adorar a Deus ainda em pecado?
Inevitavelmente lembro-me de um trecho duma música que cantávamos no Ministério de Louvor: "Vem, assim como estás para adorar!"
Para responder essa questão vamos analisar outras: Qual a diferença de um pecador para outro? O pecado que cometeram?
A Bíblia relata algo a respeito nos Evangelhos sinóticos (Mateus 9.10-13; Marcos 2.15-17; Lucas 5.29-32). Vejamos o que Mateus conta:
Na casa do próprio Mateus, conforme Lucas menciona na sua versão (Lucas 5.27,29 - Levi era o nome israelita de Mateus), Jesus senta-se para comer e beber com publicanos e muitos o criticam por isso.
Todavia, Jesus ensina que a sua missão consistia em buscar, de preferência, os perdidos de Israel (os enfermos - "Os sãos não precisam de médico, e sim os doentes." - v.12; cf. Atos 13.46; Isaías 56.6,7), chegando, inclusive, a citar o Velho Testamento: "Ide, porém, e aprendei o que significa: Misericórdia quero e não holocausto; pois não vim chamar justos, e sim pecadores ao arrependimento." - v. 13 ARA [NVI]; Oséias 6.6).

Só podemos entender com isso que o homem tem vontade de adorar, isto é, todo ser humano é religioso por natureza, anseia pelas coisas de Deus e pelo próprio Deus, mesmo que em muitas vezes não tenha pleno conhecimento disso e use seus anseios para outros fins.
Assim, podemos perceber que qualquer pessoa pode (e deve) adorar a Deus, seja qual for a sua situação. Contudo, é extremamente necessário que o indivíduo tenha conhecimento da sua condição presente, pois, se estiver em pecado, deve adorar a Deus com o intuito de se libertar primeiro e continuar a adorá-Lo ininterruptamente. Acredito que este seja o sentido que o autor da música "Vem, esta é a hora" quis expressar.

Podemos constatar isso quando lemos: "Mas as vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus." (Isaías 59.2 ARA [NVI]).
Donald C. Stamps comentou que "o pecado e a iniquidade do crente levanta um muro entre ele e Deus", e este muro começa a ser derribado no momento que o pecador sente a ponta do arrependimento e recomeça a adorar o Senhor (Lucas 23.39-43; 19-8-10; I João 1.8-10).
Entrementes, nós, pessoas de Cristo, precisamos extirpar de nossas vidas a ideia incorreta de que Deus sempre perdoa, mesmo sendo uma afirmação mais que verdadeira. Da mesma forma, aquele que anda na iniquidade e deseja se entregar a Deus como seu servo, aceitando de bom grado Sua soberania, necessita do conhecimento de que todo aquele que deseja chegar ao Lugar Santíssimo (presença de Deus), seja rico ou pobre, novo ou velho, homem ou mulher, adulto ou criança, negro ou branco, alto ou magro, poítico ou empresário, letrado ou não [...] tem que ser santo como Ele é (Levítico 11.44,45; I Pedro 1.14-16).

6. Onde se deve adorar?
A melhor resposta para essa pergunta, sem dúvida, é a conhecidíssima passagem onde Jesus dialoga com uma samaritana (João 4.1-30).
Neste diálogo ela O questiona onde se deve adorar. Sua dúvida consistia na longa divergência entre judeus e samaritanos acerca de vários pontos religiosos, dentre eles, o lugar correto de adoração a Deus (mais informações no tópico "Adorador" do artigo "Líderes que protegem").

"A mulher respondeu: [...] Os nossos antepassados adoravam a Deus neste monte [Gerizim], mas vocês, judeus, dizem que Jerusalém é o lugar onde devemos adorá-Lo. Jesus disse: Mulher, creia no que eu digo: Chegará o tempo em que ninguém vai adorar a Deus nem neste monte nem em Jerusalém." (João 4.19-21 NTLH [NVI]).
A primeira ideia que eu percebo neste relato é que não há muita importância em lugares fixos onde se deve ou não adorar a Deus (com relação a adoração pessoal, visto que adoração congregacional se faz no templo ou em lugares afins com os demais irmãos). A segunda é que Jesus estava legando ao novo céu e a nova terra (Apocalipse 21 [vv. 5,22] NVI).

Se partirmos para o conceito "templo" como lugar de adoração interpretaremos assim:
• Nosso corpo é templo do Espírito:
"Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?" (I Coríntios 3.16).
A palavra "templo" em sua origem (gr. "naos") significa "santuário", "habitação". Confrontando com o verbo "habitar" (gr. "oikeõ") que significa "ocupar uma casa" formamos a expressão "fazer-se presente continuamente".
• Sabendo disso, o melhor lugar para adorar a Deus é a partir de nós mesmos, onde estivermos, pois Ele habita continuamente em nós.
O Senhor quer-nos por inteiro (Mateus 22.37; Deuteronômio 6.5).

7. Quando adorar?
Observe a frase: "Na alegria ou na tristeza, na saúde ou na doença, na riqueza ou na pobreza."
Por si só esta famosa frase dita em cerimônias de casamento já responderia a pergunta. Em suma, a resposta é "todo o tempo". Até porque a Bíblia fala que há tempo para todo o propósito debaixo do céu (Eclesiastes 3.1), mas afirma também que tudo quanto tem fôlego louve a Deus (Salmo 150.6 NVI), isto é, quem está vivo deve adorá-Lo porque os mortos nada tem mais neste mundo (Eclesiastes 9.4-6 NVI). 
Entretanto, não podemos deixar de responder à altura, conforme ensina o Livro Santo (veja o artigo "Para onde vamos quando morremos?").

(1) Na alegria, na saúde e na riqueza [...] na bonança:
"Então disse Maria: Minha alma engrandece ao Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, pois atentou para a humildade da sua serva. De agora em diante todas as gerações me chamarão bem-aventurada..." (Lucas 1.46-56 NVI).
O Magnificat, como é conhecido o Cântico de Maria na versão latina, dá significado ao conteúdo belíssimo de seu louvor a Deus; indica para nós "engrandecimento [a Deus]".
Semelhantemente encontramos outros belíssimos momentos de adoração a Deus em meio a alegria de muitos na Bíblia: O livro dos Salmos dispensa comentários, os cânticos de grandes homens e mulheres também acham-se numerosos.
Maria, por sua vez, mostra sua gratidão mútua por Deus ao escolhê-la como genitora de Jesus.
Ao afirmar "meu Salvador" (v. 47), Maria se declara pecadora, visto que somente possui um salvador aquele que tem pecado (Gálatas 5.1).

(2) Na tristeza, na doença e na pobreza [...] no sofrimento:
"Ainda que Ele me mate, Nele espararei..." (Jó 13.15).
A grande maioria dos eruditos gritam unânimes: "Não há, talvez, declaração mais sublime de um servo para Deus!"
Jó se volta para Deus mesmo em meio ao seu sofrimento indescritível. Em épocas assim somente os ímpios não tem a coragem de clamar a Deus e declarar-Lhe tais palavras.
Fosse qual fosse o fardo que o Senhor pusesse sobre ele, até mesmo a morte, Jó acreditava na justiça divina. Mesmo que nosso Pai retire de nós uma bênção atrás de outra não podemos deixar de receonhecê-Lo como gracioso e misericordioso, que apesar dos pesares Ele nos presentiou com Seu Filho Jesus, que é reto, justo e bom (Salmo 136; 25.8; Habacuque 3.17,18; João 10.10; Romanos 9.14 NVI).

CONCLUINDO:
A palavra "essência" em sua origem (lt. "essentia") significa "central", "básico", "ato de ser". Em nosso português assemelha-se a "cheiro".
Aos conríntios Paulo escreveu:
"Mas dou graças a Deus porque, unidos com Cristo, somos sempre conduzidos por Deus como prisioneiros no desfile de vitória de Cristo. Como um perfume que se espalha por todos os lugares, somos usados por Deus para que Cristo seja conhecido por todas as pessoas.
Porque somos como o cheiro suave do sacrifício que Cristo oferece a Deus, cheiro que se espalha entre os que estão sendo salvos e os que estão se perdendo." (II Coríntios 2.14,15 NTLH [NVI]).

Paulo afirma que o cristão, pela vida que leva, emana um perfume que chama a atenção dos que estão à sua volta.
Para alguns este perfume é agradável, para outros, nefasto.
A essência como "cheiro" somos nós, que ao servirmos a Deus exalamos o Seu cheiro. Isso endereça-nos a lembrança dos sacrifícios do Antigo Testamento, onde Paulo traz à tona, recordando aos coríntios e a nós que a nossa vida dedicada a Deus e a nossa morte com Cristo na cruz sobe para Ele como cheiro suave às Suas narinas (Gênesis 8.20,21; Êxodo 29.18; Romanos 6.4,6; Efésios 5.1,2).
A essência como elemento mais importante, "central" ou "básico", é Cristo, que ao se tornar, de fato, o Filho de Deus, passou a estar no centro, na base, no lugar e na posição principal (Apocalipse 1.13; 2.1 - "Se os sete castiçais são de ouro é porque este revestimento significa o Espírito de Deus, que, com a sua luz alumia Jesus Cristo que está no meio" - Jones de Lira).
Frequentemente vemos Jesus na Bíblia como sendo o centro das atenções; na cruz do meio, nas manifestações contrárias as Suas ações benévolas, nas demonstrações de milagres, nas acusações, nas sinagogas a pregar [...]
Sempre Jesus esteve à vista de todos (Lucas 4.14,37; Mateus 9.31; 14.1).
Adorado seja a essência de tudo; nosso Senhor Jesus Cristo!





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