Sempre Ministrados

Pesquisar neste blog

sexta-feira, 18 de abril de 2014

O real sentido da Páscoa... sem chocolates

A Páscoa é Jesus Cristo na cruz e depois dela.
"Pela fé, celebrou a Páscoa e o derramamento do sangue, para que o exterminador não tocasse nos primogênitos dos israelitas [...]  Escolhei e tomai cordeiros segundo as vossas famílias, e imolai a Páscoa [...] pois também Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi imolado [...] Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim... Este cálice é a nova aliança no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que o beberdes, em memória de mim."
- Hebreus 11.28; Êxodo 12.21I Coríntios 5.7; 11.24,25 ARA.


Para a perfeita compreensão deste estudo é Imprescindível ler Êxodo 12.
Assim como ocorre no dia das bruxas nos Estados Unidos, um garoto americano vestiu-se com uma roupa de cordeirinho suja de sangue, há poucos dias do domingo de Páscoa, e saiu de porta em porta na sua vizinhança dizendo a todos os vizinhos que abriam-lhes: "Programem-se para ver sangue!"
Este relato é fictício, acabei de inventar, mas ilustra bem o real sentido da Páscoa que a Bíblia revela. Embora você tenha achado um pouco macabro (talvez muito, ou totalmente), venho te dizer nesta publicação que a Páscoa é, ao contrário de chocolates, sangue, muito sangue, um precioso sangue, porém num sentido atual mais alegórico, apesar de que sua origem é literal.
Mesmo que muitos aproveitem a data para distribuírem chocolates e celebrar uma aparente amizade, a Páscoa nada tem a ver com isso, exceto com a união entre famílias para festejarem uma libertação. Mas é claro que você já sabia disso, penso eu.
O que, talvez, você não saiba ou não tenha certeza é que a Páscoa, em vez de significar chocolate, tem muito a ver com sangue.
Com relação ao seu real significado, a Páscoa possui uma ligeira semelhança com o Natal. São dias de muita alegria (principalmente infantil), presentes, comercialização de produtos, festas, ovos de páscoa, coelhinho da páscoa, enfim, oportunidades de adoçar mais o sangue.
Em contrapartida, a Bíblia vem mostrar que mais uma vez relacionado a Jesus Cristo a humanidade tem sido enganada.
Se o Natal é o nascimento de Cristo, a Páscoa é o Seu renascimento. É sobre isso que trataremos nas próximas linhas.

Nota: O objetivo desta publicação não é discutir se o crente pode ou não consumir ovos de páscoa, e sim atentar para o real significado da grande festa concebida originalmente às vésperas da libertação do povo de Deus. Cabe ao caro leitor refletir após as informações postas aqui, de acordo com a Bíblia, sobre a questão da falsa páscoa imposta pela sociedade1.

1. O que é a Páscoa?

No paganismo, a Páscoa é uma brincadeira de longa data. Em alguns países pintava-se ovos cozidos (geralmente de galinha) com desenhos abstratos coloridos, enquanto que em outros países foram substituídos por ovos de chocolate. Este era um costume antigo em rituais pagãos, utilizando elementos como a primavera, as lebres (e não os coelhos) e os ovos pintados com runasespécie de letras características em línguas germânicas, uma antiga forma de escrita do norte da antiga Europa. Tais rituais simbolizavam a fertilidade e a renovação associados à deusa nórdica e pagã Gefjun.
Os rituais eram sinistros. As sacerdotizas de Gefjun teriam o poder de prever o futuro observando as entranhas de uma lebre sacrificada.
A enciclopédia internacional livre Wikipédia asserta que a versão "Coelhinho da páscoa, que trazes pra mim?" foi adaptada da original relacionada a deusa Eostre2, com os dizeres: "Lebre de Eostre, o que suas entranhas trazem de sorte pra mim?", crença esta que advém de sincretismos religiosos (cf. II Jo 1-9-11; I Tm 6.3,4; II Tm 3.16; Jo 17.17; Pv 30.5; Sl 12.6)3.

Na Bíblia, porém, o objetivo primordial da [primeira] Páscoa, que se tornou uma das grandes festas do povo hebreu, era relembrar o feito glorioso de Deus, livrando seus primogênitos da morte condenatória (Ex 12.21-23,27; cf. Hb 11.28), o que acabou encetando a última praga do Egito (Ex 12.29).
De acordo com a versão Almeida Revista e Corrigida (ARC), a palavra páscoa aparece na Bíblia 79 vezes, sendo 50 só no Antigo Testamento.
A origem da palavra tem raízes neste contexto supracitado.
O termo hebraico pesah (correspondente ao AT) significa suspensão, relacionado com a festa ou a vítima da Páscoa judaica. Consistia, como já mencionado, em sangue, um sacrifício cruento, um animal, geralmente um cordeiro, que era a vítima (Ex 12.3,5; Dt 16.2) e em aspergir do seu sangue nas ombreiras e na verga das portas das casas dos hebreus, depois de o terem comido (Ex 12.7-10), livrando-os do Destruidor (Ex 12.23). Isto ocorreu quando o povo ainda estava aprisionado no Egito, entre a nona e a décima praga.
Este livramento ocorreu pela passagem do anjo da morte sobre, por cima (suspensão) dos hebreus, ignorando-os por causa do Senhor (Ex 12.23,27).
A expressão em apreço (pesah) tem uma conotação mais específica direcionada aos animais (cordeiro ou cabrito sem defeito) que eram sacrificados para a grande Festa (cf. Ex 12.21 - "Imolai a Páscoa." [ARA]). Isso nos remete a Cristo, que seria morto (destruído, rejeitado, negado) pelos sacerdotes, pelos anciãos e pelo povo, consequentemente até pela própria igreja (Mt 16.21; Mc 8.31; Lc 9.22; 17.25; At 2.23,364.11).
O termo correspondente a páscoa no NT é pascha, grafia grega da palavra aramaica, derivado do hebraico pãsach (provavelmente sinônimo do termo já referido acima), que significa passar sobre, poupar, livrar, denotando ainda mais a suspensão ocorrida na primeira Páscoa (cf. Is 31.5).

Em suma, a Páscoa é a festa instituída por Deus para comemorar a libertação de Israel do Egito, a troca de líderes, donde os israelitas passaram a ser liderados por um Dono mais amoroso, justo e fiel, ao contrário de Faraó, um tirano sem piedade.
Todas as outras Páscoas após a primeira foram comemoradas para relembrar o feito sublime no Egito. A primeira comemoração consistia igualmente em muita comida e bebida, com algumas regras e com muita pressa, pois poderiam ter que sair a qualquer momento (e de fato saíram - Ex 12.8-11,37).
Doutra forma, a Páscoa também foi uma antecipação do sacrifício expiatório de Cristo, daí, Paulo mencionar que "Cristo é a nossa Páscoa!" (I Co 5.7).
O expositor S. E. McNair ensina pelo menos quatro fatos sobre a Páscoa: o pecado humano, o juízo divino, o valor do sangue e a obediência da fé4.
Sem dúvida a Páscoa tem significados valiosos. Sobre o comentário deste grande explicador bíblico da época em que eu ainda nem era nascido, com todo o respeito, eu acrescento somente mais um fato; a iminente vitória de Deus em Cristo dedicada a nós, seus discípulos, sua igreja (Gl 5.1; Ef 5.2).

• Na ocasião da primeira Páscoa:
Para os egípcios e seu Faraó o significado era o juízo efetivo de Deus, a frivolidade das magias e dos deuses pagãos, o desmembramento de um povo que nunca lhes pertenceu, a derrota para o Deus tremendo, o quebrantamento do orgulho egípcio e a recompensa pelos pecados: a morte (Rm 6.23).
Para os israelitas significava momento de união com todos, livramento de morte (isto é, salvação), lição sobre o valor do sangue e o perdão divino, a suspensão da ira de Deus (pois eles também eram pecadores, embora o momento fosse de punir os egípcios e não os israelitas), teste de fé e obediência, proteção divina, uma nova liderança humana com mais amor, justiça, fidelidade e piedade sob a mão de Deus e uma ordem para que toda gente, inclusive suas gerações posteriores, comemorassem a Páscoa todos os anos, para relembrarem a libertação da escravidão de Faraó e do Egito.
Para Deus foi uma execução do seu poder de punição contra o pecado, libertação dos cativos e demonstração da sua misericórdia com o seu povo, ensinando, corrigindo, perdoando e guiando com amor (Sl 136.10-12; 106.8).

2. O que é a Páscoa para nós hoje?

A resposta está em Cristo (I Co 5.7; Jo 1.29), que pela fé aceitamos (Hb 11.1,6). No entanto, para, de fato, entendermos a significação atual da Páscoa faz-se necessário uma boa leitura histórica da Bíblia, sobretudo, na instituição da primeira Páscoa. Isso mesmo. Não podemos sair de onde introduzimos este artigo se quisermos compreender a realidade.
Deus instruiu detalhadamente e com extrema suficiência a Moisés e Arão sobre como preparar o povo para a primeira Páscoa.

• Os detalhes e os simbolismos da primeira Páscoa que apontam para Cristo (atente para os subilinhados):
(1) O cordeiro pascal simbolizava Cristo (I Co 5.7Jo 1.29);
(2) O cordeiro deveria ser sem defeito, simbolizando a ausência de pecado em Cristo (Hb 4.15; At 2.31; I Pe 2.22);
(3) O cordeiro deveria ser macho, obviamente porque Deus enviou seu filho e não sua filha (Jo 3.16);
(4) O cordeiro deveria ser de um ano, talvez referindo-se ao fato de que Jesus morreu muito jovem;
(5) O cordeiro deveria ser guardado por um período de até quatorze dias daquele mês, indicando o tempo dos trinta anos de vida privada de Jesus, antes da instituição de Seu minisério público, intervalo em que ele foi testado por Deus e pelos homens, além dos três anos posteriores em que foi examinado pelos homens em seu ministério compartilhado;
(6) Todos os israelitas sacrificaram o animal assim como Cristo foi rejeitado e morto pelos próprios judeus (Mt 27.22,23; Mc 15.13,14; Lc 23.21; Jo 1.11; cf. Jo 19.11) na época da Páscoa (Mt 27.15; Mc 15.6; Lc 23.17);
(7) O cordeiro deveria ser morto próximo ao crepúsculo da tarde, isto é, do pôr-do-sol, entre a hora nona e a hora décima (após as 15h)5, mesma hora em que Cristo foi morto, depois das 15h (Mt 27.45-50);
(8) O sangue do cordeiro deveria ser colocado nas portas das casas dos judeus, dando a eles livramento das mãos do Destruidor, e isto pela fé, assim como o sangue de Jesus nos salva hoje, estando em nossas portas, isto é, em nosso caminho (cf. Sl 119.105; Jo 14.6; Is 35.8), concedendo-nos libertação das mãos de Satanás, também pela fé (Hb 10.19-22; 9.13,1413.12; I Jo 1.7);
(9) A carne do cordeiro deveria ser assada no fogo representando a ira de Deus sobre Jesus por nossa causa (Gl 3.13Jo 3.16; Ef 5.2; Rm 8.32; cf. Is 53.4);
(10) A carne do cordeiro deveria ser comida com pães asmos e ervas amargas, denotanto Cristo como alimento desprovido de sabor, isto é, sem gosto, algo cujo objetivo não era proporcionar prazer individual, mas figurar uma vida que se foi (mas voltaria ao terceiro dia) sem motivo, sem pecado (Jo 6.48Mc 8.15; Gl 5.9; I Co 5.6-8; cf. Mt 13.33); Seu sofrimento na cruz (Mt 27.34; Mc 15.23; Lc 23.36; cf. Is 53.3);
(11) Nenhum osso do cordeiro pascal deveria ser quebrado, fato que aconteceu literalmente com Jesus Cristo (Jo 19.33-36).

A primeira Páscoa nos remete à lembrança de que somos peregrinos neste mundo (Jo 17.14-17,20), pois os israelitas deveriam celebrá-la na espectativa de a qualquer momento terem que partir com os "lombos cingidos, sandálias nos pés e cajado na mão", às pressas, porque o livramento da morte e o escape de Faraó estavam próximos (Ex 12.11-20). Este contexto nos ensina que não podemos levar muita carga nas costas ("É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus.")
É provável que muitos sequer entendam o que significa as palavras "Porque o Senhor passará para ferir aos egípcios...", interpretando que Deus feriu o povo de Faraó, sendo que o mesmo versículo nos deixa claro que, também, Deus impediu que o Destruidor o fizesse (Ex 12.23), passando por cima, ou seja, "a figura [de Deus aqui] é de um pássaro que voa sobre o seu ninho para o defender."6 (cf. Is 31.5; Dt 32.11).
A liberdade oferecida no NT remete-nos ao Calvário (Fp 2.8; Is 53.8I Pe 1.18,19) lembrando os feitos terríveis e magníficos no Egito (Dt 6.21-23).
O grande "misto de gente" (Ex 12.38 ARA) descrito já na saída do Egito, tem sido o problema no meio do povo de Deus até hoje, transtornando a verdade bíblica e trazendo grandes misturas de doutrinas, como Paulo exortou aos colossenses (Cl 2.4,8) e ordenou o combate a Tito (Tt 1.10,11).
Para quem já presenciou enfeites e árvore de natal em portas de igrejas evangélicas, como eu, não me surpreendo haver uma distribuição de ovos de páscoa no púlpito cristão. No entanto, não acredito que consumir chocolate em época de páscoa seja, de fato, uma profanação à Bíblia, mas a prática da falsa páscoa, ou até mesmo a falsa ceia do Senhor, isto é, uma doutrina diferente, isso sim (II Jo 1.9,10; I Co 10.23-33; cf. Mt 7.28; I Co 11.20). No caso da árvore de natal o raciocínio é o mesmo, porém o assunto é inoportuno.

• Jesus e a Páscoa (Lucas 2.41-52):
Todos os anos, ainda pequeno, Jesus era levado pelos seus pais para a festa da Páscoa em Jerusalém (vv. 41,42). Indo à Páscoa mostra-nos que o menino Jesus tornara um "filho da lei" (cf. v. 39Gl 4.4) à vista dos homens, ao completar seus doze anos. De volta à Galileia, seus pais não notaram que Jesus não estava entre a família (v. 43). Naquele tempo as famílias criavam seus filhos em agrupamentos de casas, aldeias ou vilarejos, onde a maioria crescia considerando-se da mesma família (por isso os estudiosos bíblicos não afirmam com certeza que Maria e Isabel, assim como João Batista e Jesus eram, de fato, primos legítimos). Jesus foi criado assim. Ao perceberem a ausência do menino, José e Maria pensaram que ele estava no agrupamento de volta à Galileia (v. 44). Provavelmente os pais de Jesus acharam que ele andava com pessoas da sua idade. Contudo, voltaram à Jerusalém e, depois de três dias7, o encontraram no Templo, ouvindo e fazendo perguntas aos doutores (vv. 45,46). Podemos imaginar aqui uma mensagem subentendida. Em algum lugar e momento em que estamos andando desapercebidos, por causa do pecado (não necessariamente no caso dos pais do menino), perdemos o contato com Cristo. Precisamos voltar ao último ponto de encontro e tentar retomar o contato, confessando nossas falhas (cf. Ap 2.5) e, muitas vezes, este último local é a Casa de seu Pai. O menino Jesus estava lá (v. 46). Assim acontece concernente à festa da Páscoa. A humanidade esqueceu-se, perdeu-se em costumes humanos, midiáticos, o contato com o verdadeiro objetivo da Páscoa revelado no êxodo (Ex 12.5,21), cumprido na cruz (I Co 5.7; Jo 1.29; Fp 2.8; I Pe 1.18,19) e consumado na ressurreição (Mt 28.6; Mc 16.6; Lc 24.3-8; Jo 20.8,9).
Apesar do relato do doutor Lucas mostrar o menino Jesus no Templo, vemos que ele não estava sempre lá, como os fanáticos que creem na santificação por permanecerem na igreja a maior parte do dia, mas estava, está e estará conosco até a consumação dos séculos (Mt 28.20).

• A Páscoa depois de Jesus:
Após a destruição do Templo em 70 d.C., o sacrifício animal para a Páscoa cessou totalmente e a festa dos judeus passou a uma simples reunião familiar com refeição sem derramamento de sangue. Somente os samaritanos atuamente, no monte Gerizim, ainda sacrificam animais visando cumprir o antigo mandamento israelita.8
No NT, tanto João Batista quanto Paulo afirmam que a Páscoa significa a morte de Jesus, sendo Ele o próprio sacrifício cruento (Jo 1.29; I Co 5.7).
Devido a ensinos como esses, a igreja primitiva veio a compreender que a Ceia do Senhor, por se tratar do memorial da morte de Cristo, substitui perfeitamente a Páscoa (I Co 11.24-26). Se a Páscoa significava a libertação do povo de Deus na antiga aliança, na nova, mediante Jesus, que agora é o cordeiro, e por isso a própria Páscoa, faz-se necessário o complemento da sua comemoração; a Ceia do Senhor , "porque, mudando-se o sacerdócio, necessariamente se faz também mudança da lei." (Hb 7.12).


3. A Ceia do Senhor:

A Ceia do Senhor é a representação da auto-oferta Dele mesmo para os homens. A Ceia dá um novo cenário pascal prefigurando a nova aliança de Deus com os homens (Hb 9.15). É isso o que Paulo declara quando afirma que Cristo é a nossa Páscoa (I Co 5.7). A festa não deve mais acontecer com o fermento velho do pecado, mas com a nova massa, com asmos da sinceridade e da verdade (I Co 5.8). A festa (gr. heortadzo) do versículo referido está escrito de forma geral, definindo uma festa [santa] a ser observada, de modo que não pode ser interpretada como a Páscoa em si, mas em uma festa nos mesmos moldes (cf. Ex 13). O conselho de Paulo aos coríntios era que eles deviam viver sem fermento na prática.
Ao mencionar "sem fermento", Paulo se lembra da Páscoa dos judeus, onde era necessário a remoção de todos os vestígios de fermento (Ex 12.19), inclusive das tigelas onde se fazia os pães. Mas aqui, porém, o apóstolo usa o fermento não de forma literal, mas como tipo de vida, confirmando que algumas pessoas e acontecimentos descritos no AT tipificam algo do NT, ou seja, são sombras dos acontecimentos da nova aliança (Hb 8.4-6).
Segundo William MacDonald, a oração que se fazia após a remoção do fermento de todos os cômodos da casa no primeiro dia da festa era: "Ó, Deus, removi todo o fermento de minha casa e, se há algum fermento do qual não tenho conhecimento, também o lanço fora de todo o coração."9

O sentido da ceia do Senhor é de forte indício à substituição da Páscoa. Mas essa substituição deve ser entendida no mesmo sentido em que a vinda de Jesus não obrigou a revogação da Lei, mas o cumprimento dela, isto é, enchê-la completamente (gr. pleroõ - Mt 5.17 ARA)10.
Na ocasião em que Paulo lembra aos coríntios a respeito da correta celebração da ceia do Senhor (I Co 11.17-34 ARA), aquele o faz em tom de correção por haver entre eles divisões ao se reunirem (vv. 17-19). O único louvor que Paulo poderia lhes atribuir era pela lembrança em guardar a prática instituída por Cristo (vv. 23-25; cf. Lc 22.19), mas não podia louvá-los pela forma desordenada com que estavam ceando. Isso não significa que houve separações resultantes em novas denominações, mas havia facções, "panelinhas", grupinhos entre irmãos que ostentavam a indecência no culto. O que acontecia em Corinto era a prática de cismas, um partido dentro de um grupo maior, ao contrário de uma seita. Os crentes coríntios não haviam saído totamente dos caminhos do Senhor, mas estavam prestes a isso (I Co 11.17-22; cf. 14.40).
A conduta dos cristãos de Corinto ao se reunirem na Ceia do Senhor era tão lamentável que Paulo afirma que eles nem se lembravam mais do memorial celebrado (v. 20), pois haviam perdido a essência, ou seja, eles até podiam realizar os ritos exteriores, mas de forma alguma estavam no clima da Ceia.
Da mesma forma há, hoje, o esquecimento do real sentido da Páscoa e até da Ceia do Senhor nos cultos de muitas igrejas.

Afirma William MacDonald: "Os membros da igreja primitiva celebravam o 'Ágape' ou refeição do amor juntamente com a ceia do Senhor."11 Esta festa acontecia em clima de confraternização antes da Ceia do Senhor, conforme Paulo adverte (I Co 11.21,22,34). Porém, os mais ricos compravam muita comida para fazerem inveja aos mais pobres (daí um dos motivos das facções), que compareciam na ocasião da Ceia do Senhor esfomeados e, por isso, descontrolados e mal educados. A igreja de Corinto era mui problemática, censurada de "carnal" pelo próprio apóstolo (I Co 1.10,113.1).
O real sentido da Ceia instituída por Jesus e relembrada por Paulo é a reunião de crentes em volta do pão e do vinho que simbolizam o corpo e o sangue de Cristo, sem abusos no comer e no beber (vv. 20-26), semelhante à primeira Páscoa (Ex 12.8-11). Por isso, aquele que o fizer de forma indigna, "será réu do corpo e do sangue do Senhor", trazendo juízo para si (vv. 27,29). Paulo, na verdade, desejava que eles fossem educados (vv. 33,34).
O auto-exame fundamentado nas Escrituras é de suma importância para que não cometamos o sacrilégio de profanarmos a mesa do Senhor (v. 28), pois a profanação das coisas santas pode nos levar a enfermidades e até a morte (v. 30; cf. Is 32.6).

"Porque, se nos julgássemos a nós mesmos, não seríamos julgados. Mas quando julgados, somos disciplinados pelo Senhor, para não sermos condenados com o mundo." (I Co 11.31,32 ARA).


NOTAS SOBRESCRITAS:

1. Para fins didáticos sobre a possibilidade ou não de o crente consumir ovos de páscoa, consulte I Co 10.23-33. Também recomendo assistir o vídeo do Bp. Walter McAlister [http://goo.gl/mfptB7];
2. Eostre é uma deusa pagã da fertilidade e renascimento nórdica. Segue anexo [http://goo.gl/e0yKF];
3. Conforme o link [http://goo.gl/e0yKF];
4. A Bíblia Explicada - S. E. McNair (4ª edição, CPAD, Nota sobre Ex 12, p. 40);
5. A hora judaica é calculada assim [http://goo.gl/w40xk8];
6. [subscrito por causa da aspa] Palavras de um biblicista chamado Goodman, exceto entre colchetes;
7. É interessante perceber que a expressão depois de três dias lembra a ressurreição de Cristo. Na ocasião, não foi mais encontrado no túmulo, da mesma forma como não foi encontrado entre seus pais aos doze anos (veja-se Lc 2.46; 18.33);
8. W. E. Vine, um dos autores do dicionário Vine (15ª impressão, CPAD);
9. [subscrito por causa da aspa] Comentário Bíblico Popular - William MacDonald, NT (2ª edição, Mundo Cristão, Comentário sobre I Co 5.7, p. 488); 
10. O termo grego pleroõ significa encher completamente. No texto de Mt 5.17, onde Cristo afirma que veio cumprir a Lei, refere-se a tornar perfeito, completar a Lei. Noutras palavras, interpretá-la de forma correta e pura (Dicionário Grego do Novo Testamento de James Strong anotado pela AMG, referência 4137);
11. [subscrito por causa da aspa] Comentário Bíblico Popular - William MacDonald, NT [2ª edição, Mundo Cristão, Comentário sobre I Co 11.21, p. 512]).

0 comentários: