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sexta-feira, 15 de abril de 2016

Qual a utilidade e inspiração das Escrituras?

Somos o público alvo das Escrituras
"Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste e de que foste inteirado, sabendo de quem o aprendeste e que, desde a infância, sabes as sagradas letras, que podem tornar-te sábio para a salvação pela fé em Cristo Jesus. Toda Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda a boa obra."
-  II Timóteo 3.14-17.

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Quando penso na utilidade de algo, logo penso na sua construção. Quando se cria algo, é fato determinante que antes da criação de qualquer ideia é necessário pensar em questões como “para que ou para quem se cria”. O público alvo de uma determinada ideia precisa ser definido antes para que o sucesso esteja garantido. A inspiração das Escrituras não ocorre por mera vontade divina sem um objetivo, Deus a inspirou porque tem como alvo cada um de nós.
Paulo lembrou a Timóteo que permanecesse naquilo que aprendeu e foi inteirado desde sua infância mediante a inspiração e utilidade das Escrituras. Isso leva-nos a pensar sobre o tempo que deve existir para que eu ouça, aprenda e ponha em prática tudo aquilo que as Escrituras me proporcionam.
A infância é a parte da vida de uma pessoa que faz toda a diferença no decorrer de seus dias. Sobre isso, Matthew Henry diz: “A infância é a época de aprendizagem, e aqueles que aprenderão de verdade devem aprender com as Escrituras, as quais não devem estar esquecidas ao nosso lado, e sim lidas, e com frequência.”1 Diante disso, lembro-me de como uma criança é capaz de aprender e colocar em prática o que absorve no mais simples cotidiano. Um dos filhos de um grande amigo meu, no manusear de um simples aplicativo para smartphone, aprende algumas saudações hebraicas e passa a utilizá-las no dia a dia de uma forma pura e simples, onde em alguns momentos chega até mesmo a corrigir o pai, que é um seminarista. Percebemos como a ocasião na mais tenra idade é propícia para o aprendizado, e não apenas isso, mas a execução do que se aprende. Uma criança possui facilidades de aprender e pôr em prática qualquer coisa que experimenta.
Somos lembrados por Paulo a permanecer naquilo que fomos inteirados acerca da inspiração e utilidade das Escrituras, e muitas vezes, o que nos é introduzido vem da nossa infância, seja literal ou simbólica, i.e., a nossa infância na fé em Cristo.
Nossa ideia nesta reflexão é lembrar a cada um de nós, cristãos, a permanecermos naquilo que nos foi ensinado e inteirado acerca da inspiração e utilidade da Bíblia, na mais pura e simples objetividade. Vejamos alguns pontos em que o texto nos instrui.



1. As Escrituras são inspiradas por Deus:


Antes de mais nada, devemos partir do princípio de que as Escrituras são inspiradas por Deus. Não há o que discutir quanto a isso. Escrevendo à Timóteo, Paulo é enfático: “Toda a Escritura é inspirada por Deus” (II Tm 3.16). Obviamente Paulo se refere às Escrituras do AT podendo referir-se também a alguns poucos escritos do que viria a se tornar o que conhecemos hoje como o NT, como ele mesmo afirma na primeira carta à Timóteo (5.18) citando Lucas 10.7: “O trabalhador é digno de seu salário.” Hoje possuímos autorização total para entendermos que as Escrituras das quais os apóstolos se referiram trata-se de toda a Bíblia Sagrada, portanto, toda a Palavra de Deus é inspirada por ele (cf. II Pe 1.20,21).
O termo inspirado aqui deriva-se daquilo que é idealizado primeiramente no Espírito de Deus como o mesmo Paulo mencionou outrora: “A minha palavra e a minha pregação não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria humana, mas em demonstração do Espírito e de poder.” (I Co 2.4 ARC).
Se as Escrituras são por Deus inspiradas, obviamente também são infalíveis e eternas. Desde o "assim diz o Senhor" tantas vezes encontrado no AT (e.g. Sl 33.4; Pv 30.5; Is 40.8)2 até as confissões neotestamentárias.


2. As Escrituras são úteis:


Se existe algo, seja uma ferramenta, um objeto qualquer ou uma função, deve haver pelo menos uma utilidade. A utilidade principal dos alimentos é nutrir nosso corpo, distribuindo as vitaminas e sais minerais que o organismo necessita. Se a alimentação está correta, o corpo reage bem, porque a nutrição foi feita corretamente. Se, todavia, a alimentação está incorreta, o corpo sofre com a má distribuição de vitaminas e sais minerais, em quantidades erradas, insuficientes ou demasiadas. Assim, sabemos que o alimento não se limita em sabor, mas em utilidade para o nosso bem estar. Da mesma forma, a Bíblia possui utilidades. É o que veremos a seguir. As Escrituras são úteis:

• Para o ensino (v. 16):
A Bíblia possui uma didática: ensinar. Existe nas Escrituras algo adequado para cada situação da vida. Há sempre uma resposta para as perguntas cotidianas. A Bíblia possui a mente de Deus que deseja a todo o momento nos ensinar, nos tornar aptos a agir conforme ele agiria em nosso lugar, conforme Cristo agiu na Terra (Lc 2.46,47,52).


"A vós outros, ó homens, clamo; e a minha voz se dirige aos filhos dos homens. Entendei, ó simples, a prudência; e vós, néscios, entendei a sabedoria. Ouvi, pois falarei coisas excelentes; os meus lábios proferirão coisas retas. Porque a minha boca proclamará a verdade; os meus lábios abominam a impiedade... Aceitai o meu ensino, e não a prata, e o conhecimento, antes do que o ouro escolhido. Porque melhor é a sabedoria do que jóias, e de tudo o que se deseja nada se pode comparar com ela." (Pv 8.4-7,10,11 ARA).

• Para a repreensão (v. 16):
Além do ensino, as Escrituras procuram também repreender, elas nos apontam atitudes que não agradam a Deus, refutando o erro e acendendo em nós um alerta de que estamos nos desviando do padrão bíblico. Frequentemente a Bíblia nos mostra que a repreensão de Deus é motivada pelo seu amor por nós: “Filho meu, não rejeites a disciplina do Senhor, nem te enfades da sua repreensão. Porque o Senhor repreende a quem ama, assim como o pai ao filho a quem quer bem.” (Pv 3.11,12). A repreensão requer para nós um juiz que não pode ser nós mesmos, porque “se julgássemos a nós mesmos, não seríamos julgados, mas, quando julgados, somos disciplinados pelo Senhor, para não sermos condenados com o mundo (I Co 11.31,32).

• Para a correção (v. 16):
Além de nos repreender, as Escrituras também nos corrige. A Bíblia mostra o que está errado e apresenta como o erro pode ser corrigido. Percebemos, e.g., nas sete igrejas da Ásia que cinco delas receberam repreensões e sugestões de correção: para Éfeso foi dito “Lembra-te e arrepende-te” (Ap 2.5), Pérgamo e Tiatira ouviram um sonoro “arrepende-te” (Ap 2.16,21), para Sardes, “lembra-te, guarda-o e arrepende-te” (Ap 3.3) e para Laodicéia foi dito “aconselho-te” (Ap 3.18).

• Para a educação na justiça desde a infância (vv. 15,16):
Voltamos para a parte em que o texto apresenta Timóteo versado na Palavra desde a sua infância. Timóteo aprendeu com quem? Se desde sua infância ele conhece as Escrituras, provavelmente seus pais o ensinou, e ele sabia disso (v. 14). Isso nos mostra que o maior bem que podemos oferecer aos nossos filhos é o privilégio de conhecer desde a infância as Escrituras Sagradas. Sobre isso, William Barclay afirma:


"A glória dos judeus era que seus filhos desde seus mais anteriores dias fossem ensinados e treinados na Lei. Os judeus declaravam que seus filhos aprendiam a Lei até estando em fraldas, e que a bebiam no leite de suas mães. Sustentavam que a Lei estava tão impressa no coração e na mente do menino judeu que antes de esquecer-se dela, podia esquecer seu próprio nome."3

De modo que Timóteo aprendeu desde a sua infância a educação na justiça, que consiste em aprender de Deus e executar as lições assimiladas de forma justa para tornar-se sábio e alcançar a salvação. Talvez tenha sido isso o que Salomão quis dizer ao aconselhar: “Ensina a criança no caminho em que deve andar, e, ainda quando for velho, não se desviará dele.” (Pv 22.6). Até o próprio Jesus destilava sabedoria diante de Deus e dos homens ainda na sua adolescência (Lc 2.52).

• Para tornar o homem perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra (v. 17):
Não importa se o que vamos realizar seja uma pregação, um aconselhamento, evangelização, execução de algo, indicação de alguma coisa, etc. Para tudo isso e o que quer seja feito em prol da obra de Deus, a sua Palavra nos instrui e nos capacita.
Toda instrução bíblica desde a infância até que seja alcançado um nível satisfatório, e não interrupto, de conhecimento das Escrituras encaminha o homem, e não mais o menino, perfeitamente habilitado para toda boa obra. Nosso papel como cristãos, e muitos de nós pastores e líderes, é sempre procurarmos estar prontos para toda boa obra.


"Recomenda estas coisas. Dá testemunho solene a todos perante Deus, para que evitem contendas de palavras que para nada aproveitam, exceto para a subversão dos ouvintes. Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade. Evita, igualmente, os falatórios inúteis e profanos, pois os que deles usam passarão a impiedade ainda maior." (II Tm 2.14-16 ARA).



NOTAS SOBRESCRITAS:


1. HENRY, Matthew. Comentário Bíblico de Matthew Henry. 4. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2004. p. 8 (II Timóteo).
2. Seja notório a expressão assim diz o Senhor em todo o Pentateuco, especialmente de Êxodo a Deuteronômio, além da prática dos profetas em suas falas na época da monarquia de Israel (Livros dos Reis, Samuel e Crônicas, e.g.).
3. BARCLAY, William. Comentário do Novo Testamento. Versão em PDF (e-book). p. 83.



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