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terça-feira, 14 de junho de 2016

Apologética e alguns passos para o arrependimento

A boa Apologética precede o sincero arrependimento
"Ao anjo da igreja em Pérgamo escreve: Estas coisas diz aquele que tem a espada afiada de dois gumes: Conheço o lugar em que habitas, onde está o trono de Satanás... Tenho, todavia, contra ti algumas coisas, pois que tens aí os que sustentam a doutrina de Balaão, o qual ensinava a Balaque a armar ciladas diante dos filhos de Israel para comerem coisas sacrificadas aos ídolos e praticarem a prostituição. Outrossim, também tu tens os que da mesma forma sustentam a doutrina dos nicolaítas. Portanto, arrepende-te; e, se não, venho a ti sem demora e contra eles pelejarei com a espada da minha boca." -  Apocalipse 2.13-16.

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A medida em que passam-se os anos, a necessidade de relembrar ao povo de Deus as ordenanças bíblicas e abrir-lhe os olhos quanto ao erro que pode vir a cometer (ou já esteja cometendo) é surreal. Vivemos numa época de pluralismos ideológicos, muitas opiniões de todos os lados tem invadido o que se considera verdadeiro e puro quanto às Escrituras e a necessidade de uma Apologética comprometida com a ética, a educação e com a própria Escritura Sagrada tem sido cada dia mais crucial. Sim, é verdade que muitos religiosos rejeitam a Apologética porque consideram-na inútil para os dias de hoje, além de afirmarem que Deus não precisa ser defendido. A questão não é defender Deus, mas seus preceitos descritos na Bíblia, a qual consideramos a maior e única regra de fé e prática, embora respeitando traços culturais e de épocas distintas em que foram escritas, mas considerando igualmente sua atemporalidade, sobretudo no que se refere à valores absolutos. Outrossim, os teólogos que não concordam com a Apologética nos dias de hoje também afirmam que os apologetas contemporâneos se utilizam deste meio para ridicularizar a vasta gama de pensamentos teológicos existentes atualmente. Não se pode negar que isto é verdade, porém, há de se considerar algo: o problema não está na Apologética, e sim na maioria dos apologetas atuais, que a utilizam de forma incorreta. Um certo líder afirmou que "não existem várias teologias, mas uma Teologia e vários teólogos." Embora não concorde muito com essa ideia, este pensamento se encaixa perfeitamente no tema Apologética, pois traz a ideia de uma única Lei onde vários "legisladores" a tomam para si, sendo que só existe uma lei e um legislador, como afirma Albert Einstein: "Deus é a lei e o legislador do universo." Ora, não somos obrigados a usar da Apologia como se estivéssemos nos primeiros séculos da história do Cristianismo onde os pensamentos acerca de Deus e sua Palavra ainda estavam em formação, onde assuntos como a Trindade, e.g., eram intensamente discutidos. Não podemos usar de mediocridade e ignorância num tempo tão memoroso como o que vivemos agora, o início do século XXI, a era do conhecimento. A Apologética precisa ser utilizada sim, e de forma correta, ainda nos dias de hoje, com o mesmo objetivo: defender a fé cristã. Porém, nossos esforços para tanto merecem ser exercidos nos moldes de hoje, para as necessidades de hoje, buscando conciliar nossas ações do dia a dia com a regra de fé a qual [dizemos que] seguimos, contextualizando sabiamente, sem rupturas dos limites (II Jo 1.9). Quando isso é possível? Simples: quando precisamos nos arrepender de nossos erros e voltarmos ao centro da vontade de Deus. Isto é utilizar-se da Apologética cristã munido dos valores absolutos daquilo que consideramos a Palavra de Deus, i.e., a Bíblia.

Por vezes a Bíblia é intercalada de Apologética. No Pentateuco, a Lei é o maior exemplo. Na história da monarquia de Israel, a mesma Lei é repetida e relembrada por Deus e seus grandes servos de forma apologética. Nos Salmos, temos a Apologética cantada: "Desvenda os meus olhos, para que eu contemple as maravilhas da tua lei." (Sl 119.18). Nos profetas, encontramo-na bradando aos quatro cantos: "É preceito sobre preceito, preceito e mais preceito; regra sobre regra, regra e mais regra; um pouco aqui, um pouco ali." (Is 28.10). No NT, Jesus é extremamente apologético: "As palavras que eu vos tenho dito são espírito e são vida." (Jo 6.63). Os apóstolos deram continuidade a esta apologética: "Quanto a nós, nos consagremos à oração e ao ministério da palavra." (At 6.4). "Toda Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra." (II Tm 3.16,17).
Quando Jesus enviou suas palavras à igreja de Pérgamo, a intenção era justamente apologética, queria trazer de volta a igreja que estava no meio do lugar onde habitava Satanás. Ali haviam doutrinas estranhas sendo disseminadas no meio dos cristãos e a carta enviada por João tinha o propósito de defender a palavra que sai da boca de Cristo. Tal carta levava alguns passos para o arrependimento aos cristãos de Pérgamo. Aquele que possui a espada afiada de dois gumes conhece cada passo, cada ponto, cada medida e cada pensamento relacionados a cada um de nós, Jesus Cristo, cuja espada refere-se a sua Palavra e os dois gumes, ou lados, atribui-se ao fato de sua mensagem cortar e penetrar em nosso interior até o ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, discernindo pensamentos e propósitos dos nossos corações (Hb 4.12; Ap 1.16). Foi assim que Jesus apresentou-se à igreja de Pérgamo, com o objetivo de chamar ao arrependimento, defender sua mensagem e corrigir os seus seguidores. Isto é Apologética, que gera arrependimento em pessoas. Diante disso, é necessário perceber que se a Apologética não causar arrependimento nas pessoas, pelo menos a certeza de que precisam repensar no que acreditam, alguma coisa está errada.

As causas para o arrependimento em pessoas, de forma normal e cotidiana, ocorre de diversas formas. Uma pesquisa publicada na revista ISTOÉ em abril de 2012 aponta algumas causas para o arrependimento que diferem entre homens e mulheres. Segundo pesquisadores de Illinois e Northwestern, nos Estados Unidos, foram entrevistados 400 indivíduos. O resultado demonstra que enquanto os homens se arrependem mais nas questões acadêmicas e profissionais, as mulheres arrependem-se mais em questões familiares e emocionais.1
Fica claro que o arrependimento aqui refere-se a questões cotidianas e que mexem com temas a longo prazo: uma vida profissional ou amorosa. No caso de Pérgamo, Jesus é quem gera, não o arrependimento, mas a oportunidade para tal, também por questões cotidianas, embora, neste caso, espirituais e religiosas: sustentar doutrinas estranhas no meio em que habitavam, onde estava entronizado Satanás. É aqui onde entra a Apologética na prática.
Jesus disse para a igreja de Pérgamo arrepender-se, se não, ele mesmo resolveria sem demora e pelejaria com a espada de Sua boca. Isso leva-nos a pensar o quanto devemos nos arrepender, ao menos pensar se precisamos nos arrepender de algo. Isto é fato e inegociável. Fomos chamados para o Caminho e recebemos a responsabilidade de seguir algumas regras, dentre elas, pregar e viver o Evangelho (Tg 1.22). Ao desobedecermos estas regras, Deus nos cobra e espera de nós pelo menos uma mínima atitude de arrependimento.
Nosso objetivo nas proximas linhas é refletirmos sobre alguns passos que devemos percorrer até o arrependimento proposto pelo Senhor, que deseja levar a cada um de nós à íntima e perene relação com o Pai, assim como ele fez com os crentes de Pérgamo, sempre defendendo a Lei do Senhor.


1º passo: Reconhecer que Jesus nos conhece (vv. 13-15).



O verbo conhecer demonstra a sapiência de Cristo. Ele nos conhece, sabe de tudo, cada momento em que vivemos, andamos, pensamos, planejamos, decidimos, etc. Não há espaço para tentar esconder nada do Senhor, como disse o salmista Davi outrora:


“Para onde me ausentarei do teu Espírito? Para onde fugirei da tua face? Se subo aos céus, lá estás; se faço a minha cama no mais profundo abismo, lá estás também; se tomo as asas da alvorada e me detenho nos confins dos mares, ainda lá haverá de guiar a tua mão, e a tua destra me susterá.” (Salmo 139.7-9).

Já sabemos que não há como escapar da onipresença do Senhor. Isso nos dá a entender que a vida do cristão, onde quer que ele esteja inserido, não é fácil. Sua missão não é escapar do lugar onde habita Satanás, mas reconquistar o terreno enquanto ainda vive nele. Onde a vida o colocou, deve brilhar a luz de Cristo, dar sabor ao contexto insípido, monótono e tedioso. Seu lugar é em cima do velador (espécie de criado-mudo), alumiando a todos que se encontram na casa (Mt 5.15). Deus está vendo tudo, ele nos conhece, portanto, não nos abandonará. Reconheçamos isso.
Neste primeiro passo para o arrependimento, a Apologética atua introdutoriamente, defendendo o fato de que nós precisamos adimitir, absolutamente, que Jesus nos conhece.


2º passo: Enxergar a misericórdia de Jesus sobre nós (v. 16).



Ao passo que a igreja de Pérgamo estava situada num lugar onde Satanás era adorado, que deve ser entendido como o centro de culto ao imperador romano, muito provavelmente, ou à estátua de Zeus em forma de trono, mesmo assim alguns cristãos ainda eram capazes de conservar o nome do Senhor e a vossa fé nele, mesmo após a morte de Antipas, um de seus membros, por negar culto à César. Talvez este seja o ponto em que a misericórdia de Cristo ainda os enxergava, embora a igreja daquele lugar não fosse perfeita.
Conta-se que dentre os cristãos fiéis existiam os que permitiam o ensino de doutrinas estranhas, na ocasião, Balaão, Balaque e os nicolaítas, i.e., a venda do Evangelho, a profanação, a prostituição e outros ensinamentos pagãos. Realmente a vida dos cristãos em Pérgamo não era nada fácil.
Não há melhor oportunidade para a prática da Apologética por parte de Cristo para os cristãos de Pérgamo. Entre várias doutrinas contrárias a de Cristo, ele traz ao contexto a sua defesa daquilo que ensinou desde o seu ministério ainda em carne. Pérgamo estava mergulhada em ensinos aleatórios, antagônicos e avessos à autoridade do ensino de Cristo (cf. Mt 7.28,29) e esta era a oportunidade de relembrar aos crentes dali, como uma flecha certeira no íntimo de cada um, acerca da espada que sai da boca do Senhor.
Diante disso, percebemos que Deus age de misericórdia mediante a pessoa de Jesus Cristo. Nós, como aqueles antigos cristãos, alcançamos misericórdia divina, porque não somos perfeitos, mas ainda age dentro de nós a graça de Deus que nos torna conquistas do amor dele em Cristo Jesus.
Todavia, nós precisamos reconhecer todos os nossos erros, todas as conivências que existe em nós, ainda que muitas vezes não sejam tão severas como no caso de Pérgamo (aceitar ensinos estranhos – Balaão, Balaque e os nicolaítas); o fato é que uma pergunta surge inevitavelmente: O que estou permitindo na casa do Senhor, na minha vida e nas minhas relaçãoes sociais o fere como o Deus da Bíblia?
Quando Cristo diz “Arrepende-te!”, ele já sabe quais são os nossos erros, ele sabe de tudo, ninguém lhe contou, ele possui onisciência, cabe a nós simplesmente nos confessarmos e sermos, de fato, limpos da nossa culpa.
A expressão arrepende-te traz a ideia de mudança de pensamento, reconsiderar e forma o termo sentir remorso (gr. metanoeo).2 Caso não se arrependessem, o próprio Cristo enfrentaria os responsáveis pelos ensinos adulterados, mas fica implícito que se a igreja não tomasse a atitude que lhe cabia, não receberia os prêmios da vitória (v. 17). Nossa responsabilidade é defender a Palavra de Deus.


3º passo: Saber que o nosso arrependimento produzirá a nossa vitória (v. 17).


Há um preço a ser pago pela nossa atitude de arrependimento, mas também há uma recompensa. Se o preço a ser pago é ser visto por todos como os "santarrões", os diferentes, ou até mesmo os melhores, sabemos que isso não é verdade. Não somos perfeitos nem melhores do que ninguém, mas temos um Deus em quem confiamos e defendemos a sua verdade, que é única, e é imposta para nós, como servos do Altíssimo, a responsabilidade de defender a sua vontade: "Se anuncio o evangelho, não tenho de que me gloriar, pois sobre mim pesa essa obrigação; porque ai de mim se não pregar o evangelho!" (I Co 9.16). Precisamos ouvir o que o Espírito diz às igrejas. Há algo mais apologético do que isso?
Para os que se arrependessem na igreja de Pérgamo foi prometido o maná escondido e uma pedrinha branca. A nós é prometido a mesma coisa, sendo que com um significado atual: o maná escondido para Pérgamo é uma referência antagônica às coisas sacrificadas que Balaão e Balaque ensinaram à Israel (Nm 22.1-6; 31.16) e a pedrinha branca significava a absolvição, eleição, vitória, boas-vindas. Acreditava-se que em algum momento da história dos judeus, havia a prática de se eleger coisas, lugares e até pessoas utilizando-se de pequenas pedras brancas, possivelmente pedaços brutos de mármore posteriormente forjados de alguma maneira artesanal, para escrever nelas o nome do eleito.
Para nós, o maná escondido representa Cristo como alimento espiritual enviado por Deus (Jo 6.31-35,48; Ex 16.4,14-16) e é “escondido” porque trata-se da nossa comunhão secreta com Cristo num dado momento que só ele sabe. A pedrinha branca simboliza o registro do nosso nome como absolvidos e eleitos por Cristo para todo o sempre. É preciso compreender que o nosso arrependimento, nossa volta às Escrituras e nossa apologia a mesma, produzirão para nós vitória eterna com Cristo.


Na presença de Deus e de Cristo Jesus, que há de julgar os vivos e os mortos por sua manifestação e por seu Reino, eu o exorto solenemente: Pregue a palavra, esteja preparado a tempo e fora de tempo, repreenda, corrija, exorte com toda paciência e doutrina. Pois virá o tempo em que não suportarão a sã doutrina; ao contrário, sentindo coceiras nos ouvidos, juntarão mestres para si mesmos, segundo os seus próprios desejos. Eles se recusará a dar ouvidos à verdade, voltando-se para os mitos. Você, porém, seja moderado em tudo, suporte os sofrimentos, faça a obra de um evangelista, cumpra plenamento o seu ministério." (II Tm 4.1-5 NVI).
Ninguém conquista nada de uma hora para outra, é preciso seguir alguns passos. Que Deus nos abençoe na condução desses três passos.



NOTAS SOBRESCRITAS:



1. ROCHA, Paula. Você se arrepende de quê? IstoÉ, 11 abr. 2012. Disponível em: [http://istoe.com.br/197699_VOCE+SE+ARREPENDE+DE+QUE+/]. Acesso em: 14 jun. 2016.
2. BÍBLIA de Estudo Palavras-Chave Hebraico e Grego. 2. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2011. p. 2300



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