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sexta-feira, 8 de julho de 2016

[OPINIÃO] Por que não consideram o pensamento judaico?

Irreverência não combina com cristianismo
Aprendi com um experiente e dedicado mestre que a Bíblia não pode ser compreendida por completa se não considerarmos a cultura, os usos, os costumes e a forma de pensar e entender as coisas da vida judaicos, sobretudo os da época de Cristo. É triste ver qualquer pessoa subindo em púlpitos, lecionando em EBDs, falando em rádios, TVs, nas praças, na internet, em alguns livros e até mesmo em seminários teológicos, sem o mínimo e aceitável conhecimento do que se entende por "Bíblia". A frase "não se faz mais 'qualquer coisa' como antigamente" parece querer um lugar especial nestas linhas que tracejo: não se faz mais pregadores como antigamente, não se faz mais líderes como antigamente, não se faz mais pastores como antigamente, não se faz mais profetas como antigamente. Antigamente, quando não se tinha pressa de terminar uma perícope, quando não havia ansiedade de querer mostrar a todos o conhecimento que [achava] que possuía, quando só podia ser mestre após os 30 anos de idade (em alguns lugares o limite era 40 ou mais), quando se havia todo o cuidado para abrir a boca e falar algo, querendo dizer que era Deus quem estava falando, quando se tinha temor e tremor pelo Eterno.

Os dias atuais estão repletos de animadores de palco, excepcionais oradores apenas, excelentes dominadores da língua portuguesa, possuidores de boa lábia para uma má finalidade, especialistas em testemunhos eletrizantes, produtores de milagres fajutos, legalistas, artistas famosos e anônimos, intérpretes de um drama teatral, músicos dramaturgos, diretores de arte hollywoodyanos em meio ao que denominam "momento de adoração", pregadores de uma homilética sem homilética nenhuma: lê o Texto, sai do Texto e nunca mais volta para o Texto. Líderes mergulhados no pecado consciente e distantes da santidade, logo, abstraídos das Sacras Letras. Ferramentas efêmeras nas mãos entristecidas de Adonai. Já dizia Charles Haddon Spurgeon: "Chegará um tempo em que no lugar dos pastores alimentando as ovelhas, haverão palhaços entretendo os bodes." Estes palhaços não possuem nenhum compromisso ou responsabilidade com a Sã Doutrina, são procurados por pessoas com comichão nos ouvidos que eles mesmos as ensinaram. Não respeitam a cultura original dos hebreus nem sequer consideram o pensamento judaico, a enorme e excelente fatia de todo o judaísmo que nos oferece uma gama de respostas para tantos mistérios bíblicos, o equilíbrio da nação escolhida pelo Eterno nos primórdios das Escrituras. O que se vê são pessoas que nunca pararam para refletir sobre o processo do casamento judaico, nunca compreenderam o porquê do vinho que Jesus transformou ter sido reconhecido por um especialista como o melhor vinho, nunca entenderam, de fato, a expressão "EU SOU" dita a Moisés, nunca souberam explicar as discrepâncias acerca de "um" Deus que, supostamente, se arrependeu (Gn 6.6), mas nunca se arrepende (Nm 23.19), nunca gastaram tempo para preparar um comentário sobre algo das Escrituras, nunca se desmancharam na presença de Elohim. Estes animadores irreverentes nunca agem com reverência, nunca pensaram de que maneira a mulher samaritana reconheceu que Jesus era judeu, nunca pararam para pensar sobre o porquê de o corpo de Jesus não estar mais no sepulcro, embora o lenço que o vestia estivesse, dobrado, arrumado. Nunca souberam explicar como o lenço de um apóstolo curava enfermos e o dono deste lenço sugere vinho para medicar outro apóstolo, ao invés de dar-lhe o [místico] lenço. Nunca se vê um esforço para silenciar sobre qualquer tema quando a Bíblia silencia, sempre querem especular.

As típicas pregações de hoje são pífias, medíocres, rasas, repetíveis, repetidas, fracas, complicadas, direcionadas a um único objetivo: resolução de problemas pessoais. As interpretações não beiram sequer uma campina de exegese, sequer sabem o que é isso, sequer valorizam ou dedicam-se ao árduo trabalho de dias, meses, anos, uma vida de sacrifício para extrair a verdade, somente a verdade, mesmo que doa, fira, rasgue, cause enjoo, faça chorar, incomode. Não entendem que a dor do Kirios não se compara ao mínimo esforço que se deve ter para falar da Palavra. Paulo sintetizou em poucas menções o cuidado com o manuseio do Evangelho: "Minha pregação não se resume a linguagem persuasiva de sabedoria humana, mas em demonstração do Espírito e de poder." (I Co 2.4). O publicano expõe para o mundo através do canon a realidade do seu interior: "Deus, sê propício a mim, que sou pecador!" (Lc 18.13). Cristo brada aos quatro cantos da mente hipócrita: "Já receberam a recompensa. Não terão mais nada além disso." (Mt 6).
Se os púlpitos falassem, eles gritariam aos seus respectivos donos: lamá sabactani! A Bíblia faria parte deste coral melancólico e gritaria, bem afinada, a mesma coisa: lamá sabactani! Se a Igreja do Senhor despertar, muitos líderes e ovelhas serão expulsos de suas posições. E ela vai despertar. Quando Cristo voltar, e ele vai voltar, eu serei corrigido, você será corrigido, todos seremos corrigidos e receberemos, cada um, o nosso destino, conforme já estabelecido antes da fundação do mundo, mas que ninguém possui conhecimento.

A cada época que passa, as pessoas, inclusive as que fazem [ou se dizem fazer] parte da sociedade cristã, se tornam tão ambíguas, bipolares, inexatas, desequilibradas, anfibológicas e de caráter duvidoso que assemelham-se a palavra ilunga, de origem banta, nígero-congolesa, presente num ambiente onde se fala mais de seiscentas línguas, uma das mais (se não a mais) difíceis de traduzir, falada por cerca de trezentos milhões de pessoas, com um triste significado: perdoar na primeira vez, tolerar na segunda, mas nunca na terceira, contradizendo o maior dos mandamentos já criados desde o estabelecimento de tudo, tirado de um costume judeu, forjado a partir da numerologia judaica, ignorado pela maioria dos súditos da Nação Santa, especialmente os da ala gentia, aplicado primeiramente no terreno do judaísmo, e depois a cada um de nós: nem uma, nem duas, nem três, nem muito menos setenta vezes sete, mas infinitamente mais, como ensinou o grande Rabí.

Voltemos... para onde nenhum jota ou til pode ser mudado. Voltemos para as Escrituras... Originais.

"Esdras abriu o livro à vista de todo o povo, porque estava acima dele; abrindo-o ele, todo o povo se pôs em pé. Esdras bendisse ao Senhor, o grande Deus; e todo o povo respondeu: Amém! Amém! E, levantando as mãos; inclinaram-se e adoraram o SENHOR, com o rosto em terra. E Jesua, Bani, Serebias, Jamim, Acube, Sabetai, Hodias, Maaséias, Quelita, Azarias, Josadabe, Hanã, Pelaías e os levitas ensinavam o povo na Lei; e o povo estava no seu lugar. Leram no livro, na Lei de Deus, claramente, dando explicações, de maneira que entendessem o que se lia [...] No ensino, mostra integridade, reverência, linguagem sadia e irrepreensível, para que o adversário seja envergonhado, não tendo indignidade nenhuma que dizer a nosso respeito." (Ne 8.5-8; Tt 2.7,8 ARA).

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