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segunda-feira, 12 de setembro de 2016

[OPINIÃO] Quantas igrejas existem dentro da sua?

Igrejas dentro de igrejas. Como é isso?
Nos últimos dezesseis anos tenho percebido dentro das igrejas evangélicas no Brasil, especialmente as que eu fiz parte ativamente, algo curioso. O que deveriam ser reconhecidos tanto pela prática quanto pela nomenclatura, estou falando dos ministérios dentro de uma comunidade cristã, parecem exercer pequenas igrejas dentro de uma igreja maior. É estranho, muito estranho, mas real.
      Tenho observado ao longo desses anos práticas interessantíssimas, curiosas, esquisitas. Os "ministérios" estão fazendo pepéis de congregações de igrejas-mãe. Pasmem! Dentro da própria igreja! Como assim? E pode isso? As lideranças mais importantes estão se reunindo por conta própria, às escondidas, organizando eventos e festas, à revelia, separando-se daquilo que é conhecido como corpo de Cristo, um só, e não vários. Suas organizações acontecem à parte e seus desfechos são apresentados ao pastor somente após meses de planejamento, muito mais como um aviso do que uma proposta, pedido de consentimento ou elaboração de ideias, não estão mais aceitando uma opinião, não admitem uma possível poda do pastor. Já está tudo pronto. Só precisam do "aval" do pastor. Hã?
      A figura do pastor parece importar para uma parte da igreja (não arrisco dizer se a maioria ou a minoria) apenas para pregar nos cultos e resolver problemas bíblico-teológicos (e olhe lá) ou algo que envolva o nome da igreja. Será isso uma prova de que o pastor não possui mais o respeito que tanto nos ensina as Escrituras? "Obedeceis aos vossos guias e sede submissos para com eles (...) Acateis com apreço... os que vos presidem no Senhor..." (Hb 13.17; I Ts 5.12 ARA).
      Observo, e.g., o ministério de louvor, um dos mais importantes (não por isso o melhor). Quando atuei na liderança de um, tive que impor a verdade de que músicos e cantores (como se cantores não fossem músicos) não eram dois ministérios, isso mesmo, encontrei dois "ministérios" dentro de um, atuando silabicamente. O resultado era óbvio: a música não fluia, a ministração da Palavra de Deus não era notória nesta parte da igreja. Quem operava um instrumento pensava diferente de quem utilizava o microfone. O que é isso? O tempora! O mores! O Texto Sagrado não era lido, nem discutido, muito menos praticado nos ensaios, nem no dia a dia. As orações e consagrações não eram parte da vida ministerial dos músicos. "Meu Deus! Onde estou, senão em tua Casa?", exclamava ao ver tal situação.
   
      Observo, igualmente, a juventude. Percebi quando trabalhei numa igreja a importância daquela mocidade, jogada ao léu, no sereno. A outra parte da igreja não lhe dava o devido valor e compreensão. Não entendia que jovem é autêntico, forte, criativo, inteligente, ativo, mas sem experiência. Percebi que a tal igreja era composta de duas partes: os jovens e a outra fatia. Fatia? Isso me lembra um bolo, que é cortado para servir aos famintos. A igreja não pode ser fatiada, ela é complementar, tudo nela deve ser ligado entre si, emendado, colado, entrelaçado, bem ajustado, consolidado, e não fatiado. Não é isso o que diz o Texto Bíblico? "Há somente um corpo... bem ajustado e consolidado..." (Ef 4.4,16 ARA). Aliás, bem ajustado é literalmente sunarmologoýmenon (gr.), essa palavrinha grega que muitos tem preguiça de analisar, e significa estando bem ajustado, ordenado, ligado, articulado, i.e., traz-nos a ideia de algo que funciona bem articulado. Imagine um transporte coletivo articulado totalmente desordenado. Não é assim que vive a igreja de Cristo, ela precisa funcionar, e funcionar bem.
      O corpo episcopal, que em algumas igrejas diferenciam dos pastores, é algo também observável. Notei ao longo dos anos muitos presbíteros excessivamente longe dos requisitos bíblicos para assumir tal posição, e com isso, criar pequenos ministérios, ou pequenas "igrejas" dentro da igreja. Semelhantemente muitos pastores, que sequer eram irrepreensíveis, porém discordantes da união dos membros. Sim, isso é assustador, mas é real. Esta liderança possui responsabilidades e fortes influências, por isso, acaba criando "discípulos" da divisão, complicando ainda mais a tarefa do pastor. Tsc tsc tsc! Não é assim que as Sagradas Escrituras nos ensinam: obedecemos e somos submissos aos nossos guias "para que façam isto [velar pela nossa alma] com alegria e não gemendo." (Hb 13.17 ARA.). Para o corpo diaconal seguem os mesmos dados.
      Já percebi em algum momento o ministério infantil, sobretudo os líderes, óbvio, distanciando-se das demais junções da igreja, e do pastor, "servindo" isoladamente, formando uma "igrejinha" de crianças dentro da igreja. Isso não é fofo, com diríamos para uma criança, isso é triste.

      O ideal de uma igreja é compreender que toda ela é subdividida, não separada, em ministérios, mas entender primordialmente o que significa ministério. Ora, ministério é servir mutuamente ao outro (Rm 12.4,5), se você é líder de jovens, serve aos jovens, mas não somente aos jovens, e sim a toda igreja, e vou além, o serviço deve estender-se à toda comunidade, bairro ou região aos quais a igreja está inserida. De que adianta um líder, seja de jovens ou de qualquer outra parte da igreja, servir somente aos crentes? Sua prioridade é, sem dúvida, os da Casa do Senhor, mas deve estar pronto para servir, ao menos como exemplo, aos de fora (Gl 6.10; II Co 2.15).
      Embora estejamos falando de números, isto não é matemática, mas precisamos aprender uma regrinha de três: (1) somos muitos membros, (2) somos um único corpo e (3) somos membros tanto do corpo de Cristo quanto uns dos outros (Rm 12.4,5).

      E quando partimos para uma análise individual? A igreja de Cristo é um corpo coletivo formada por indivíduos, cada um em sua respectiva função, seja num cargo ou não, mas sempre visando a um fim proveitoso (I Co 12.7; Ef 4.12). Todavia, é nítido ver pessoas isoladas, ainda que em ministérios específicos, pessoas que cumprem um horário comercial apenas, fazem parte de algo em um culto específico, geralmente aos domingos, cumprem bem essa tarefa, mas nunca mais a vemos, a não ser sete dias depois, no mesmo horário, pelo mesmo período, fazendo a mesma coisa, sem contar o fato de que ainda são sustentados financeiramente para exercer seus papéis de forma vaga e periódica. Francamente, isso me parece uma larga preocupação com o status em que a determinada igreja se apresentará aos visitantes (ou os membros mais economicamente exigentes). Francamente? Isso não denota corpo de Cristo.
      Admitir que certos irmãos cumprem um fatídico horário comercial é deprimente. Contudo, isso deve ser lembrado, pois acontece às caras, mesmo que muitos não percebam ou prefiram ignorar. Entretanto, deve ser corrigido. Logo, descaracteriza-se o Evangelho profissionalizando demais as funções eclesiásticas e excluindo, com isso, o mais importante: servir.
      Portanto, é certo que o principal ponto que causa a criação de outras igrejas, dentro das igrejas, neste período pós-moderno, em consonância com a rivalidade, é o abandono das Escrituras e tudo o que elas instruem, essencialmente a respeito do serviço.
      Quem se candidata à lavar os pés dos amados?


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