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domingo, 30 de outubro de 2016

John Wycliffe e a intocabilidade da liderança papal

John Wycliffe (1328 - 1384)
Benedetto Gaetani era o seu nome de nascimento, mas ficou muito mais conhecido como o centésimo nonagésimo terceiro Papa, Bonifácio VIII, que doou 68 anos de sua vida ao pontificado. Bonifácio será usado como exemplo para ilustrar de forma geral como era a liderança da Igreja nos tempos em que envolviam o movimento reformador.
        Bonifácio era ganancioso, fidalgo, altivo, avarento, gostava de pompa, era dado ao luxo de forma bastante excêntrica. Registros históricos afirmam que “sua coroa papal tinha 48 rubis, 72 safiras, 45 esmeraldas e 66 grandes pérolas.”1 Mesmo sendo cobiçoso à revelia do que lhe caberia como sacerdote, quase teve uma morte repentina e melancólica. Sua vida como Papa destoava da realidade comum de um pontífice, ou, pelo menos, de como deveria ser. Era mais alegórico, gostava de mostrar seu poder, sua autoridade e capacidade. Por diversas vezes vestia o manto imperial e bradava: “Eu sou César! Eu sou o imperador!” Usava outros líderes para acumular dinheiro às escondidas e seguiu por pelo menos duas décadas de papado ostentoso sobre uma autoridade poderosa. Bonifácio herdara um passado de liderança papal bastante suntuoso, dois séculos em que o pontificado reinou soberanamente sem rival, não somente no campo religioso, mas também no político. Tinha nas mãos a oportunidade de mostrar apoteose, aproveitando-se do autoritarismo que fazia questão de demonstrar. Talvez o seu maior exemplo tenha sido Inocêncio III (1198 – 1216), um Papa que destilava uma técnica notável de impor sua vontade para reis e imperadores. Assim, Bonifácio decidiu que deveria ser mais autoritário ainda, e achava isso normal.
        Acerca da autoridade da Igreja e sua relação com os homens, Hodge afirma:

Os romanistas definem a Igreja como a companhia de homens que professam a mesma fé, unidos na comunhão dos mesmos sacramentos, sujeitos aos pastores legítimos, especialmente ao papa. No tocante à primeira cláusula, excluem da Igreja todos os infiéis e hereges; no tocante à segunda, todos os não batizados; no tocante à terceira, todos os que não se sujeitam aos bispos que desfrutam de sucessão canônica; e, no tocante à quarta, todos os que não reconhecem o Bispo de Roma como cabeça da Igreja sobre a terra. É essa sociedade externa, visível, assim constituída, que Deus fez mestra autoritativa e infalível.2

        Essa informação preliminar figura bem o estado em que a liderança da Igreja Católica nos séculos precedentes à Reforma se encontrava: sólida e imponente. Percebe-se que não havia tolerância para quem pensasse diferente (o herege), a autoridade da Igreja era incontestável e o líder desta era tido como o mentor sobre tudo e todos. Os questionamentos dos reformadores se tornaram, esntão, hostis.


A história inversa: de Lutero, voltando por Huss até Wycliffe.


        Diante de um clima autoritário acima do que os ensinos bíblicos propõem, pensadores como John Wycliffe, John Huss, Martinho Lutero e outros nomes menos famosos, mas nem por isso menos importantes, além de alguns movimentos populares, começam a esboçar uma ideia de questionamento de tais lideranças. Obviamente, a história nos relata que Lutero, em 1517, foi o responsável por implodir, nos pilares da Igreja Católica, fortes críticas em forma de teses e por iniciar um dos períodos mais importantes na história do cristianismo: a Reforma Protestante. Todavia, é de se notar que outros pensadores e movimentos precederam opiniões semelhantes às de Lutero, com relação ao abuso da autoridade papal, ainda que não tenham tido o “sucesso” de resposta obtida pelo monge agostiniano.
        Lutero teve uma infância complicada. Ocasionalmente, lembrava com angústia alguns momentos em que seus pais, severamente, o colocavam de castigo. Na infância, passava de tempos em tempos por pressões psicológicas e períodos de isolamento em virtude de algumas depressões. Sua experiência nos primeiros anos de escola não foi nada agradável, tendo em vista as agressões físicas sofridas por resultados abaixo do esperado. Após ingressar no mosteiro agostiniano de Erfurt em 1505, aos vinte e dois anos, chegou a pensar que, talvez, assim, se livraria da vida árdua que lhe acompanhava, dentre outros motivos que o fez tomar tal decisão. Porém, o maior motivo, de fato, em decidir tornar-se monge, deu-se numa experiência pessoal: duas semanas antes, em uma noite de muita chuva e fortes raios, Lutero sentiu um profundo medo da morte e do inferno e prometeu a Santa Ana dedicar sua vida como religioso. Sim, Lutero era devoto de Santa Ana, mãe de maria, a mãe de Jesus. Sua célebre frase ecoou em meio a intempérie: "Ajuda-me, Santa Ana! Eu me tornarei um monge." Foi o primeiro contato de Lutero com a Bíblia, de fato. Cresceu como um verdadeiro católico tradicional, mas levava consigo muitas perguntas sobre a vida e Deus, sobre a fé e a Igreja. Isso deu início a uma carreira de descobertas onde Lutero encontrava as respostas que procurava nas Escrituras, o que fez com que questionasse gradativamente a liderança da Igreja, levando-o a se tornar o que a história nos revela: o grande reformador.

        Poucos anos antes, surgiu John Huss, considerado pré-reformador. Se Wycliffe acreditava que o conhecimento da verdade de Deus dava-se através da razão e da revelação, sem que houvesse tensão entre as duas hipóteses, mesmo que implicasse no ataque à liderança da igreja, Huss pensava da mesma forma. Ambos estavam direcionados a combater qualquer ponto de vista que fosse de encontro às Escrituras. Huss também teve uma infância complicada, mais por questões financeiras do que por abuso de autoridade dos seus pais. Sua família tinha poucas posses, pois eram camponeses. Atraiu-se pela carreira clerical buscando uma vida tranquila, nem tanto por um chamado específico. Em sua formação acadêmica na Universidade de Praga aos dezessete anos, não se tornou notório como outros, talvez pelo fato de que a maioria de seus escritos tinham muitas citações de Wycliffe, embora isto não fosse um problema. Tinha personalidade forte, formou-se em letras em 1394 e dois anos depois concluiu o mestrado. Em 1400 tornou-se Padre e um ano depois reitor da Faculdade de Filosofia. Em 1402 foi nomeado pregador oficial da Igreja de Belém, em Praga, onde pregava na língua tcheca. Sua eloquência nas pregações logo foi tomando forma e preenchendo toda aquela simples capela, de tal maneira que se transformou no centro do movimento reformador.
        Apesar de as ideias reformadoras de Huss encontrarem semelhanças nas de Wycliffe, não é correto afirmar que este tenha sido uma espécie de discípulo daquele, como pode se supor, também, pela maioria de seus escritos na Universidade, mas apenas vale compreender que os pensamentos de Huss, de forma geral, tornaram-se como um eco na tentativa de reforma por Wycliffe. Huss incomodou muitos líderes eclesiásticos e boa parte do clero, foi tido como herege e condenado à fogueira, entoando cânticos como "Jesus, filho de Davi, tem misericórdia de mim!", julgamento provido pela própria Igreja e executado pelo Estado.
        Dos pré-reformadores mais conhecidos na história, John Wycliffe parece ter sido o mais contundente. Após alguns anos, depois de passar por Huss, a era de Lutero como o reformador da Igreja acontece, contudo, ressalta-se enfaticamente John Wycliffe, grande reformador da Inglaterra e marcante pré-reformador protestante que, apesar de não ter sido um mártir, inquietou muita gente e, particularmente, a intocabilidade da liderança papal.

John Wycliffe (1328 - 1384).


        John Wycliffe foi professor na Universidade de Oxford, teólogo escolástico e reformador inglês, considerado um dos precursores da Reforma Protestante que trepidou a Europa nos séculos XV e XVI, além de ser o primeiro a traduzir a Bíblia para o inglês, que ficou conhecida como a Bíblia de Wycliffe. Nasceu em Ipreswel, perto de Richmond, em Yorkshire.3 Muitos o chamam de “o último dos importantes escolásticos de Oxford”.4
        Wycliffe surge num momento da história em que se levantavam, periodicamente, tentativas de reformas contra algumas práticas, especialmente, abusos como a simonia e o absentismo, i.e., respectivamente, o tráfico de coisas consideradas sagradas e o abandono de qualquer função eclesiástica sem aparente motivo. Entretanto, havia, em contrapartida, outro movimento muito mais radical despontando, este, por sua vez, contra a doutrina medieval da Igreja, que se distanciava cada vez mais do ensino bíblico. Wycliffe e Huss surgem nesse tempo, Huss logo após Wycliffe, mais como um tipo de sucessor do que como um contemporâneo, embora suas épocas não estejam tão distantes assim. González afirma que Wycliffe viveu durante o período do Grande Cisma e num momento que chama “cativeiro babilônico do papado”.5 O Grande Cisma consistia num período de crise da Igreja Católica de 1378 a 1417, onde, ora o poder da Igreja era reclamado pelo Papa em Roma, ora em Avinhão, na França, pelo Antipapa.6
        Wycliffe não foi um homem perfeito, e por mais difícil que seja compreender alguns detalhes de sua vida, percebe-se que seus esforços reformadores foram bastante notáveis, mas não o suficiente para causar um colapso na Igreja como ocorreria mediante Lutero. Sempre que Wycliffe publicava uma crítica, a Igreja logo o censurava. Sua juventude pareceu ter sido dedicada mais aos estudos do que a qualquer outra coisa. Sua erudição o tornou famoso no ambiente acadêmico onde dedicou a maior parte de sua vida, em Oxford. Era um homem sério, ria pouco e seguro de suas opiniões. Um de seus seguidores afirmou: “O arcebispo de Cantuária disse que Wycliffe é um grande erudito e muitos o consideram um perfeito excêntrico.”7
        Ao sair da Universidade, em 1371, Wycliffe demonstrou em suas defesas a serviço da coroa, certa inflexibilidade e inaptidão à diplomacia, pois era bastante implacável, não sendo mais convidado a participar de missões semelhantes. Neste contexto, começou a desenvolver suas teorias do “senhorio”. Então, passou a ser utilizado como “polemista demolidor” contra inimigos eclesiásticos. Sua dedicação aos estudos bíblicos o tornava cada vez mais rígido e supercilioso. Em 1377, foi intimado a apresentar-se diante do bispo de Londres. Vários amigos influentes o acompanharam e quatro monges advogados o defenderam. Na porta da igreja, uma multidão se reuniu para apoiá-lo, e sua situação, diante do clero, piorava. Era acusado de heresia, orgulho e blasfêmia. É importante citar que, paralelamente a este período, acontecia a “Guerra dos cem anos” entre França e Inglaterra (1337 – 1453), ou seja, tudo que estivesse em território inglês de nacionalidade francesa era tido como elemento hostil, o que inclui a própria igreja, que havia sido transferida de Roma para Avinhão, região sul da França. A igreja na Inglaterra tinha que enviar dinheiro para os papas na França, e isso era motivo de reação contrária da elite inglesa por alegação de investimento no inimigo. Neste clima de hostilidade, manifesta-se o nacionalismo inglês e Wycliffe soube aproveitar bem o fato, e juntou numerável apoio da nobreza.
        Naquele mesmo ano, o papa Gregório XI abandonou Avinhão e retornou à sede romana. De lá, expediu um documento contra as 18 teses de Wycliffe, mas na prática o efeito não funcionou porque os que apoiavam o pré-reformador, ainda criticavam fortemente o envio de verbas para a igreja na França. Em 1378, o escândalo do Grande Cisma irrompeu e o clima era desfavorável para a Igreja. Esses acontecimentos o colocaram em posições cada vez mais ousadas e Wycliffe, de onde estava, fazia ecoar suas teorias do “senhorio”, que incomodava e atacava não só os papas e os senhores da Igreja, mas também o Estado. Isso concorreu para que muitos de seus seguidores o deixassem. Wycliffe, então, voltou para Oxford. Ali tinha muitos seguidores, porém o cerco se fechava ainda mais. Seus pensamentos acerca de muitas práticas e doutrinas iam de encontro à Igreja e o sistema eclesiástico criava cada vez mais inimigos para si. O reitor da Universidade de Oxford convocou uma assembleia para discutir os ensinos de Wycliffe. Logo, ele se viu em prisão domiciliar, privado de toda a liberdade, mas ainda tinha autorização para escrever seus livros. O fato é que, Wycliffe utilizou o poder da escrita e inflamou ainda mais suas teorias.
        Em 1381, retirou-se para sua paróquia em Lutterworth. Mostrava que mesmo criticando o sistema religioso, participava do mesmo, porém, num grau muito inferior aos absurdos que ocorriam na época. Houve um momento em que Wycliffe se viu em dificuldade financeira e resolveu trocar o cargo que ocupava por outro menos lucrativo, dando um jeito de compensar o que era necessário, bem diferente da prática usual naqueles dias: a simonia.
        Wycliffe defendia a ideia de que a Igreja deveria voltar às práticas primitivas da época dos apóstolos e observar muito mais a questão espiritual do que carreirista. Em seu livro De officio regis, algo como a autoridade do rei, em tradução livre, defendeu que o poder real pertencia a Deus argumentando sobre o texto em que Cristo afirma: “Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.” (Mt 22.21). Dizia que todos deveriam pagar tributo, inclusive a cúpula, e ainda que o rei deveria reinar com sabedoria e suas leis deveriam estar de acordo com a vontade de Deus. Também alegou que os arcebispos deviam submissão ao rei, não ao papa. Assim, percebe-se que John Wycliffe duramente criticou o papado e a hierarquia da Igreja Católica de sua época, e quanto mais se passavam os anos, tornavam-se mais explícitos e severos seus discursos contra a intocabilidade da liderança papal. Wycliffe nunca deixou de escrever. Até o ano de sua morte, 1384, ainda produzia textos audaciosos. Morreu em comunhão com a Igreja, embora boa parte de sua vida tenha sido dedicada a criticá-la.

Os Lollardos (final do século XIV - início do século XV).


        Nos anos seguintes, afluiu o movimento dos “Lollardos”, termo pejorativo aplicado pelos seus próprios inimigos que literalmente significa murmuradores em holandês.8 Surgiu no início do século XIV, na Holanda, quando os Lollardos muito expandiram os pensamentos de Wycliffe, pregando a obediência à Deus e a confiança mútua na Bíblia como via de regra para uma vida cristã, simples e objetiva, e que, inclusive, deveria ser aplicada também nos cultos. Sua linha de pensamento era basicamente a ideia de que um padre devereia ser um verdadeiro padre ou dar cabo dos sacramentos que pregava, mas também lutava por conceitos relativistas, como o fato de que ritos deveriam ser executados tantos por sacerdotes preparados pela Igreja quanto por leigos, ou seja, dissertavam que executar uma cerimônia não dependia de hierarquia eclesiástica, mas de devoção apenas.
        Não se pode afirmar que os Lollardos tenham sido pessoalmente enviados por Wycliffe antes de sua morte, mas pode-se dizer que os primeiros tenham sido alunos em Oxford e, possivelmente, tenham convivido com o mestre ainda em vida. A mensagem de Wycliffe, como já mencionado, era direcionada mais à aristocracia do que ao povo mais simples, o que concorreu para que o Lollardismo continuasse o pensamento, atraindo para si as mesmas perseguições. Por causa da intolerância do arcebispo Guilherme Courtnay, em 1382, o Lollardismo gradativamente passou a se tornar um movimento mais popular, motivando novos seguidores cada vez menos letrados.

        Havia corrupção de todas as formas na Igreja. O problema estava nos púlpitos e de lá partia para o seio da instituição religiosa. Sabe-se que não apenas Wycliffe e os Lollardos iniciaram uma série de formulações questionadoras contra o clero, mas nomes como Johann Tauler, John Huss, Jerônimo Savonarola, William Tyndale, Pedro Valdo, e outros nomes e movimentos contribuíram para que, em Lutero, a Reforma, de fato, ocorresse, ainda que encontrasse os mesmos obstáculos, sendo que acumulados. O fato é que Wycliffe desencadeou um pensamento paradoxal e ilógico do ponto de vista clerical, formulado a partir de ideias que já haviam sido manifestadas de alguma forma e que daria continuidade. As vantagens da Reforma Protestante, obviamente, são notórias: o alcance do Evangelho fora multiplicado, dando a indivíduos, muitas vezes iletrados, inclusive, a possibilidade de desfrutar as maravilhas da graça de Deus por meio de Jesus Cristo, além da crítica à intocabilidade da liderança papal, e, claro, o óbvio: a possibilidade de obter acesso às Escrituras em praticamente todos os idiomas possíveis ao longo das épocas, embora de forma bem paulatina.
        Todavia, embora a intenção de Lutero tenha sido reformar e não dividir a Igreja, o inevitável ocorreu: ela foi dividida, e a parte que se separou da Igreja Católica, assumindo, posteriormente, a nominação protestante, pôde desfrutar de uma liderança menos autoritária, salvo exceções.
        No entanto, as desvantagens foram muitas, desde vidas ceifadas por interesses tanto políticos quanto religiosos, até as perseguições feitas pelos próprios protestantes. A história do Cristianismo é muito importante em todos os aspectos da religião cristã, possui momentos de paz e guerras, de luz e trevas, de sistematização de doutrinas e desvio de pensamentos bíblicos. Contudo, é possível perceber a graça de Deus atuando em muitos pontos, assim como a perversão do homem em outros. Entretanto, a revelação progressiva de Deus desde os primórdios do seu povo, em meio às ações desumanas dos humanos, muitos "chamados" pelo próprio Deus, é perfeitamente visível, assim como sua providência e soberania. Sola Scriptura.


NOTAS SOBRESCRITAS:



1. SHELLEY, Bruce. História do Cristianismo ao alcance de todos. São Paulo: Shedd Publicações, 2004. p. 243.
2. HODGE, Charles. Teologia Sistemática. São Paulo: Hagnos, 2001. p. 83.
3. CHAMPLIN, Russell Norman. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. São Paulo, SP: Hagnos, 2013. v. 6. p. 699.
4. Ibid.
5. GONZÁLEZ, Justo. História Ilustrada do Cristianismo. São Paulo: Vida Nova, 2011. v. 1. p. 487.
6. Um antipapa é aquele que reclama o título de Papa em oposição a um papa ilegitimamente eleito.
7. GONZÁLEZ, op. cit.
8. Ibid, p. 491.


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